Autoridades na Maçonaria Brasileira.
Documentos.
De uso.
Você está em : Academia Paranaense de Letras Maçônicas.
RESUMO HISTÓRICO : - Cadeira 06 - Benjamin Constant.

 

Benjamin Constant Botelho Magalhães – Cadeira 06.

 

General. - Um dos fundadores da Republica. Fez parte do governo provisório republicano como Ministro da Guerra. - Nasceu em 18/10/1836. Faleceu em 22/01/1891.-
“O primogênito do casal 1º Tte. Leopoldo Henrique Botelho de Magalhães e Dona Bernarda Joaquina da Silva Guimarães, nasceu em Niterói - Rio de Janeiro, no bairro São Lourenço, e os seus progenitores lhe deram o nome de Benjamin Constant em homenagem ao pai do celebre constitucionalista francês. Foi batizado em Macaé (RJ), o menino aprendeu aí o ABC com o vigário da localidade, e foi aí que ele passou os primeiros anos de sua juventude.
Com a idade de 9 anos foi com seus pais morar em Petrópolis, e algum tempo depois foi o seu pai ocupar o cargo de administrador de uma fazenda no Município de Paraíba do Sul, de propriedade do Conde de Lages.
Em 25-06-1848 aí lhe nasceu o irmão Botelho de Magalhães, que tomou o nome de Marciano e que chegaria a General. Sendo este ainda Major, conduziu a tropa da Escola Militar para o Campo de Sant”Ana no dia 15-11-1.889.
Em 15-10-1849, tendo Benajamin Constant apenas 13 anos, faleceu-lhe o pai, seu maior amigo e mestre. Pouco depois, em maio de 1.850 a mãe com 5 filhos, ganhando apenas meio-soldo de Rs:16$915 mensais, mudou-se para o Rio de Janeiro graças à bondade de D. Bernarda Vale Amado, que lhe pagava o aluguel, e passando ele a costurar para sustentar a família.
Benjamin Constant, graças à influência da família Andrade Pinto, conseguiu matricular-se nas aulas dos frades do Mosteiro de São Bento, e progredindo com rapidez nos estudos, ele conseguiu finalmente, matricular-se na Escola Militar, em 28-02-1852, e assentando praça no 1º Regimento de Cavalaria em 01-04-1852.
Finalmente em 02-12-1860 foi promovido a Tte. De Estado Maior de 1ª Classe, e em 11 do mesmo mês tomou o grau de Doutor em matemática e ciência físicas, e terminado assim o período escolar. Estudou também astronomia no Observatório Nacional do Rio de Janeiro.
Tomou parte ativa na Guerra do Paraguai, onde a partir de 25-08-1866 teve atuação brilhante, mas onde acabou contraindo febre intermitente, que quase o aniquilaria, se não fosse retirado de lá por ordem direta do Imperador e, assim mesmo, para obrigá-lo a embarcar de volta, foi necessária uma ordem peremptória do Duque de Caxias. Chegou Benjamin Constant de volta ao Rio em 04-10-1867.
No magistério foi assaz brilhante; entretanto, sempre foi perseguido pela malquerência de seus superiores, que chegaram a deixá-lo várias vezes até em má situação perante Sua Majestade D. Pedro II.
Em 18-03-1880, ao ser criada a Escola Normal do Rio de Janeiro, Benjamin Constant foi nomeado para a cadeira de matemática, e logo em seguida primeiro diretor deste educandário, cargo de que se demitiu em 1885 para, em 23-03-1889, ser nomeado lente catedrático da Escola Superior de Guerra (Praia Vermelha), do Rio de Janeiro.
Depois de ter voltado do Paraguai, e sido curado apenas o suficiente da febre palustre, que o tinha atacado e quase o aniquilou, passou Benjamin Constant a dedicar-se, de corpo e alma e por muitos anos, ao Instituto dos Meninos Cegos, de que se tornou Diretor durante muito tempo. O nome dessa instuição foi mudado para Instituto Benjamin Constant pelo Presidente Deodoro, por Decreto de 24-01-1891, a mesma lei em que mandara dar uma pensão de 6 contos de reis por ano à viuva do "Patriarca da República", e em que Benjamin morrera, em Santa Tereza, na rua Monte Alegre (atual nº 225), mais tarde convertido em Museu Benjamin Constant.
Lá pelos idos de 1886 começou a surgir a "Questão Militar" que acabou sendo ganha pelo defensores da pátria, que vinham sendo perseguidos por "Contegipe". Colocando-se Benjamin Constant decisivamente ao lado do General Deodoro, de que se acabara tornando amigo leal, ambos se tornaram dirigentes do Clube Militar, recém-fundado. Deodoro como Presidente, e Benjamin Constant como vice-presidente do Clube, em 25-10-1887 negaram o apoio do Exercito Brasileiro, na repressão dos abolicionista. Assim mesmo, em 3005-1888 Benjamin Constant é promovido a Tte. Coronel graduado, após 13 anos de permanência no posto de Major.
Em face da popularidade do nosso biografado e da veneração unanime que lhe dedicavam os seus alunos da Escola Militar e toda a mocidade brasileira, foi ele de fato se tornando "Patriarca da República", denominação que lhe foi dada na Medalha Comemorativa, cunhada pelo Decreto 1320 de 24-01-1891, em sua homenagem, gravada pelo seu amigo Francisco José Pinto Carneiro, maçon militante.
Na histórica sessão do Clube Militar, de 09-11-1889, ele recebe por unanimidade o voto de plena confiança para "... agir como quisess...", e já no dia seguinte, depois de uma longa visita ao General Deodoro da Fonseca, que estava doente, acaba ele ouvindo dele as palavras seguintes: "... Benjamin, já que não há outro remédio, leve a breca a monarquia. Nada há mais de esperar dela, venha a República..."
Pretendia-se até, no encontro que houve no dia 11 na residência de Deodoro, cativar B. Constant para dirigente do Governo Provisório, o que ele negou-se a aceitar.
Na noite do dia 14 correu o boato, que o Governo tinha mandado prender Deodoro e Benjamin, e então logo veio uma escolta dos oficiais alunos da Escola Suprerior de Guerra buscar Benjamin, que já dormia, para colocar-se à frente da tropa aprestada, pronta a vir para o Campo de Sant'Ana, já que Deodoro, doente, estava impossibilitado de assumir o posto. Dirigia esta escolta o alferes-aluno Lauro Severiano Muller, provavelmente já Maçom nesta altura.
Benjamin Constant veste a farda de Tte. Cel. e, com uma capa sobre a farda parte de carro para São Cristóvão, e de lá, à frente das tropas, parte em direção ao Quartel General no Campo de Sant'Ana.
Lá e encontra o General Deodoro, e Quitino Bocaiúva, a paisana e aquele tira o boné e grita:
"...VIVA A REPÚBLICA..."
No Governo Provisório coube ao biografado a pasta do Ministério da Guerra, que entregou ao seu sucessor Marechal Floriano Peixoto, em 19-04-1890, passa assumir a pasta do Ministério da Instrução Pública, Correios e Telegrafos, por ele criado, e que ocupou até o dia do seu falecimento, em 22-01-1891.
Morreu pobre, mas honrado, deixando uma divida de 30 contas de réis, que foi resgatada pelo seugenro (alemão) Carlos Fraenkel. Os bens que deixou foram avaliados em Rs:3:600$000.
No fim de sua vida Benjamin Constant foi fervoroso "Positivista", filosofia que mais se coadunava com a sua índole.
Não nos parece haver dúvidas que tenha sido Maçom, vivendo no meio de tantos Irmãos, mas vendo ele as eternas lutas internas, tanto do GOB como do GOU, lutas estas que ainda hoje lamentavelmente encontramos em todas as potências maçônicas brasileiras e latinas, preferiu ele dedicar-se à doutrina de Augusto Conte, tão próxima ao ideal maçônico, mas tão mais pacífica e sadia, e isenta das vaidades pessoais.
Aliás, num discurso pronunciado em 1891, Quitino Bocaiúva, falando de Benjamin Constat disse textualmente:
"Em relação ao POSITIVISMO pensou sempre como em 1882, quando se RETIROU DO APOSTOLADO. (???)...
"Dizia-se que o Grande Oriente Unido era o "APOSTOLADO" de Saldanha Marinho, e tendo este entregue o cargo de Grão-Mestre em 1882, para em 18-01-1883 ser o seu grêmio incorporado pelo GOB, é bem possível que esta observação quis indicar, que foi nesta altura que Benjamin Constant preferiu abandonar a Maçonaria, para se dedicar ao positivismo e aos seus MENINOS CEGOS, a quem passou a dedicar tods os seus momentos ociosos.
Por mais de 20 anos dedicou-se ao ensino dos "meninos cegos", em cuja sede estava até residindo ao eclodir a Proclamação da República, e de onde o vieram buscar os seus alunos da Escola de Guerra.
A Benjamin Constant deve-se a divisa máxima do Brasil "Ordem e Progresso", que nada mais é do que a adptação da antiga máxima formada, 50 anos antes, pelo Maçom Diogo Feijó:
"... sem ORDEM não há PROGRESSO ..."
Portanto, até prova em contrário, vamos admitir que Benjamin Constant tenha sido de fato Maçom.
( Transcrito do Livro "Biografia de Maçons Brasileiros, de Renato Mauro Shramm, pág 39 a 44 - Edição 1.999 )
Era tão famoso como professor que, apesar das suas convicções republicanas, foi escolhido para ensinar aos netos de Dom Pedro II.
Benjamin Constant considerava o Exército a força mais importante para a transformação republicana do Brasil. Sua atuação na escola Militar proporcionava-lhe grande influência junto aos meios militares. Em 1885, procurou explorar em favor de suas idéias a Chamada Questão Militar, que opunha os líderes militares Senna Madureira e Deodoro da Fonseca à política do Império.
Em 1887, fundou o Clube Militar, de que mais tarde foi presidente e que transformou no centro de propaganda republicana. Durante a campanha tornou-se conhecido por seus pronunciamentos agressivos contra o Império. Foi quem presidiu, em 9 de novembro de 1889, a sessão no Clube Militar que decidiu a queda da monarquia.
Proclamada a República, integrou o governo provisório como ministro da Guerra, quando remodelou o ensino militar no país. Em 1890, passou a chefiar o recém-criado Ministério da Instrução Pública, Correios e Telégrafos. Aí, empreendeu uma reforma geral do ensino em todo território nacional.
Atingiu o generalato, por aclamação, em 15 de janeiro de 1890. Pouco antes de morrer demitiu-se do ministério, em função de seus desentendimentos com o marechal Deodoro da Fonseca.
Benjamin Constant Botelho de Magalhães nasceu em Niterói (RJ). A Constituição de 1891 considerou-o nas disposições transitórias, “Fundador da República”.
Fonte de consulta: Enciclopédia Delta Universal. Rio de Janeiro, Ed. Delta, 1980
CRONOLOGIA: 1855 - Maio: É promovido a alferes. 1858 - Novembro: É preso por indisciplina. 1859 - Matricula-se em química, mineralogia e geologia na Escola Central. - Dezembro: promovido a primeiro-tenente e bacharelado em ciências físicas e matemáticas, entra para o curso de engenharia civil. É escolhido para examinador de matemática dos concursos aos cursos superiores do Império. 1861 - Entra como praticante para o Observatório Astronômico (de onde sairá em 1866 ) . 1862 - Abandona a engenharia. Em agosto, torna-se professor de matemática do Instituto dos Meninos Cegos. 1863 - 16 de Abril: Casa-se com Maria Joaquina da Costa , filha do diretor do Instituto. - 09 de Julho: Faz concurso para o Instituto Comercial. 1866 - 22 de Janeiro: Promovido a capitão. - 25 de Agosto: Convocado para a Guerra do Paraguai. 1867 - 29 de Agosto: Atacado por febres, afasta-se da guerra. - Apresenta, no Instituto Politécnico, seu trabalho sobre “quantidades negativas’’, influenciado por Augusto Comte. 1869 - Torna-se diretor do Instituto dos Meninos Cegos. 1870 - Fundação do Partido Republicano, na qual não toma parte. 1871 - Benjamim defende-se da acusação de aprovar a Comuna de Paris. 1873 - Presta concurso para repetidor do Curso Superior da Escola Militar. 1875 - Promovido a major, leciona ciências físicas e matemáticas na recém-criada Escola Politécnica. Abandona-a pouco depois, ao ser preterido na nomeação. 1876 - Deixa de ser examinador dos concursos. 1878 - Leciona matemática para os netos de Dom Pedro II, mas por pouco tempo. - Funda-se a Sociedade Positivista do Rio de Janeiro, da qual Benjamim se torna bibliotecário. 1880 - Professor e diretor da Escola Normal. 1883 - Deixa a direção do Instituto dos Meninos Cegos e da Escola Normal. 1884/85 - Volta a dirigir a Escola Normal. 1886/87 - Desenvolve-se a Questão Militar, na qual Benjamim tem importante participação. 1887 - Julho fundação do Clube Militar. Benjamim é vice-presidente. 1888 - 30 de Maio: Promovido a tenente-coronel. 1889 - 23 de Março: É nomeado lente catedrático da Escola Superior de Guerra. - 24 de Agosto: Aposenta-se do magistério. - 09 de Novembro: Na mesma hora do baile da ilha Fiscal, Benjamim dirige uma reunião no Clube Militar. - 15 de Novembro: O Marechal Deodoro da Fonseca proclama a República. Aclamado general, Benjamim assume o Ministério da Guerra. 1890 - 19 de Abril: É indicado para o Ministério de Instrução Pública, Correios e Telégrafos. - Entra em conflito violento com Deodoro. 1891 - 18 de Janeiro: Doente, pede demissão do Ministério. - 22 de Janeiro: Morre Benjamim Constant Botelho de Magalhães, o ‘’Fundador da República’’.