Cadeira 15 - PATRONO : Manoel
Deodoro da Fonseca.
Acadêmico: Primeiro
Ocupante da Cadeira n º 15 - Paulo S. Rodrigues Carvalho
Primeiro Presidente da República, de
1889 a 1891.
Grão Mestre do Gr. Or. do Brasil de 24/03/1890 a 18/12/1891,
renuncia o cargo.
Nasceu dia 05/08/1827. - Faleceu em 23/08/1892.
"O Ir.'. Deodoro da Fonseca era filho do Tenente-Coronel Manoel
Mendes da Fonseca e de Dona Rosa Maria Paulina da Fonseca. Nasceu em
ANADIA*, uma pequena Vila da então província de Alagoas,
em 05-08-1827.
O casal teve 8 filhos, tendo sido nosso biografado o segundo dessa nobre
estirpe de militares brasileiros.
Em nenhuma obra Maçônica jamais se mencionou esta abençoada
mãe alagoana e os seus filhos, motivo pelo qual achamos justo
e perfeito, citá-los aqui nominalmente, um por um:
1. Hermes Ernesto da Fonseca. Maçom e pai do 8º Presidente
da República "Hermes Rodrigues da Fonseca". Um dos
fundadores do Gr.'.Or.'. e Supremo Conselho do Paraguai, em que ocupou
o cargo de Gr.'.M.'. Lug.'. Tte. Com.'. em 1871 era coronel do Exército
e já tinha sido ferido em duas batalhas na guerra do Paraguai.
Depois foi governador de Mato Grosso, e atingiu o marechalato.
2. Manoel Deodoro da Fonseca, o nosso biografado Maçom.
3. Marechal Severino Martino da Fonseca, Barão de Alagoas, fez
toda a campanha da Guerra do Paraguai, onde chegou a ser gravemente
ferido.
4. João Severiano da Fonseca, General médico e escritor,
Chefe de Medicina do Exército, e que fez toda a campanha do Paraguai.
5. Eduardo Emiliano da Fonseca, Major, morto na Batalha de Curupaiti,
comandando um grupo de voluntários.
6. Hippolito Mendes da Fonseca, Capitão, morto na passagem da
ponte de itororó, na Guerra do Paraguai.
7. Affonso Aurino da Fonseca, morto também na Batalha de Curupaiti,
na Guerra do Paraguai, como Alferes.
8. Pedro Paulino da Fonseca, militar reformado (muito moço).
Quando quis também seguir para a Guerra do Paraguai como voluntário,
foi impedido pelos irmãos e suas esposas. Veio a ser Governador
de alagoas na República.
Oito homens bravos e briosos, oito valores de alta grandeza cívi
ca do nossso Brasil.
Uma família extraordinária que permanecerá viva
em nossa história pátria, mesmo que esta praticamente
tenha esquecido a todos.
Apenas um alagoano do Lloyd Brasileiro ainda se lembrou dessa Mãe
maravilhosa e humilde, dando o seu nome "Rosa da Fonseca"
a um navio de passageiros, mandado fazer, cremos na Iuguslavia, que
por falta de trato e manutenção acabou sendo vendido,
pois teve de dar baixa.
Manoel Deodoro assentou praça em 25-2-1845, tirando o curso de
artilharia, que terminou em 1848, quando se apresentou ao seu batalhão.
Por atos de bravura num ataque de rebeldes a Recife, foi em 14-03-1849
promovido a Segundo-Tenente e, também por atos de bravura foi
promovido novamente a Primeiro-Tenente em 30-04-1852. Depois, foi em
02-12-1856 promovido a Capitão, seguindo em 07-07-1859 para a
Província de Mato Grosso.
Tomou parte na campanha do Uruguai e, depois da capitulação
de Montevidéu, foi integrar-se na Guerra do Paraguai, onde em
22-09-1866 foi promovido a Major, por atos de bravura e, já em
18-01-1868 a Tenente-Coronel. Pela sua brilhante atuação
em Itororó foi promovido a Coronel em 11-12-1869.
Em 20-09-1873 foi Deodoro da Fonseca Iniciado Maçom na Loja Rocha
Negra nº 249 do Grande Oriente do Brasil, em São Gabriel,
Rio Grande do Sul, cujos trabalhos então frequentou 17 vezes
no ano de sua Iniciação e, 41 vezes em 1874. Sendo nomeado
Comandante de Quaraí e Livramento em 14-10-1874, então
já no posto de General, teve de despedir-se de sua Loja-Mãe
em 11-12-1874, quando já tinha galgado o Gr.'. 18, mas sempre
que as suas obrigações o permitiam, visitava os trabalhos
da Rocha Negra, de São Gabriel.
Daí em diante passou a ser um autêntico Inspetor viajante
do Exército, inspecionando as instalações militares
na Bahia, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná,
São Paulo e Rio de Janeiro e, sendo em 15-12-1888 nomeado Comandante
das Armas da Província de Mato Grosso. Mas logo pediu exoneração
do cargo, o que foi aceito em 28-06-1889, quando voltou ao Rio de Janeiro.
Em 15-11-1889 estava residindo no Rio de Janeiro num prédio em
frente ao Campo de Sant'Ana (hoje Praça da República nº
197), prédio este que por isso mesmo foi tombado pelo Patrimônio
Nacional, mas, que agora, curiosamente, se chama de "Palácio
Duque de Caxias" e, onde se acha instalado o Museu do Exército.
Estava enfermo e acamado, quando os seus comandados o foram buscar para
colocar-se à frente da tropa que pretendia proclamar a República.
Sabe-se que a sua esposa, ao ivadirem a residência altas horas
da noite, para buscar o Marechal, seriamente doente, chegou a botar
todo mundo para fora de casa e, só a muito custo pode ser convencida
da necessidade da participação do seu esposo no movimento.
Assim, acabou sendo proclamada a República.
Em 1912-1889 foi o Marechal Deodoro da Fonseca eleito Gr.'.M.'. Sob.'.
Gr.'. Com.'. do Grande Oriente do Brasil, cargo que tomou posse em 24-03-1890.
É desconhecida a data da sua elevação ao Gr.'.
30, o que até a sua Loja-Mãe desconhece. Queremos acreditar
que essa elevação dos Gr.'. 30, 31, 32 e 33 tenha sido
feita em Sessão do Supremo conselho de 07-01-1890 e, não
apenas na elevação ao Gr.'. 33 como consta na Ata publicada
no Boletim do GOB.
Segundo Kurt Prober:
"... em minha Biblioteca existe o Diploma Original de sua elevação
ao Gr.'. 31, extarído em 15-01-1890, quando provavelmente se
fez as quatro Patentes de uma só vez..."
Deve ser mencionado aqui, que ao ser eleito Gr.'. M.'. Gr.'. Com.'.
Deodoro da Fonseca ainda não era Presidente
da República, cargo este para o qual foi eleito em 25-02-1890.
Em Sess.'. do Gr.'. de 2112-1891 é lida uma carta de 1812-1891
do Gr.'. Mestre Deodoro da Fonseca, em que apresenta a sua renúncia
ao cargo de Gr.'. M.'. Sob.'. Com.'., alegando que
"... uma vez afastado dos negócios políticos,
era seu intento retirar-se à vida particular..."
No Rio de Janeiro deve ter sido membro da Loja 2 de Dezembro, mas nada
de positivo se sabe e, aparentemente, essa Loja não tinha e não
tem interesse algum pela história verdadeira e, em que participaram
tantos homens públicos.
Dias antes, Deodoro da Fonseca havia se demitido da Presidência
da República e, estando cada vez mais debilitado, queria mesmo
descansar nos útimos dias de sua vida.
No dia 23-08-1892, contando apenas 65 anos de idade, o Marechal Deodoro
da Fonseca é chamado para a Suprema Iniciação.
Certamente lembrado da celeuma criado pela Imprensa, por ter a Santa
Igreja se recusado a rezar missa de corpo presente, por acosião
do falecimento do Gr.'. M.'. Vieira da Silva, em 1880, o Bispo Diocesano
do Rio de Janeiro, o conhecido escravocrata D. Pedro de Lacerda, CONDE
de Santa Fé, declarou ao vigário da Glória que:
"... visto ter o Marechal Deodoro da Fonseca se retirado da Maçonaria
e recebido socorros espirituais... ?,
pode ter os sufrágios religiosos..."
Protestou o Grande Oriente do Brasil em altos brados, contra pronunciamento
tão capcioso, declarando publicamente que:
"...o MAÇOM Manoel Deodoro da Fonseca, Marechal, tinha apenas
renunciado o cargo de Grão Mestre, mas nunca abjurado a Maçonaria..."
Era receio do Bispo D. Lacerda, de se virar publicamente contra um Presidente
da República.
Mas, mesmo a Maçonaria parece ter olvidado o seu Grão-Mestre,
que simultaneamente foi Presidente do Brasil.
Em Maceió - Alagoas, fundou-se em 15-7-1900 a Loja Deodoro da
Fonseca - Cadastro nº 720, que adormeceu em 1940, por ter ousado
discordar da Loja em cujo Templo se abrigara.
Em Nova Igiaçu - Rio de Janeiro, fundou-se em 04-09-1959 uma
segunda Loja Deodoro da Fonseca - Cadastro nº 1508, que ainda existe.
Em Santa Rosa - São Paulo, tinha sido fundado em 01-07-1898 uma
Loja Manoel da Fonseca - Cadastro nº 608, que, aparentemente nem
chegou a ser regularizada.
Além disso existiam em atividades as Lojas: Loja Marechal Deodoro
nº 31 em Caxias do Sul - Rio Grande do Sul, fundada em 05-01-1945
e Loja Marechal Deodoro da Fonseca, em Aquidauana - MS, fundada em 13-10-1941.
(Transcrito do Livro "Biografia de Maçons Brasileiros"
de Renato Mauro Schramm, pág.207 a 212 - Edição
1.999)
Faleceu no Rio de Janeiro, dia 23/08/1892.
Em 1843, aos 16 anos, Deodoro matriculou-se na Escola Militar do Rio
de Janeiro, terminando em 1847 o curso de Artilharia. Em 1845, já
era cadete de primeira classe. Em 1848, participou de sua primeira ação
militar, ajudando na repressão da Revolta Praieira, insurreição
promovida pelos liberais de Pernambuco.
Casou-se aos 33 anos, no dia 16 de abril de 1860, com Mariana Cecília
de Souza Meireles, considerada pelos biógrafos mulher educada,
religiosa, modesta e prendada. O casal não teve filhos. Há
quem afirme que Deodoro fosse estéril. Seu sobrinho, Hermes da
Fonseca, que também chegou à Presidência, era tratado
por Deodoro como um filho.
Em dezembro de 1864, participou do cerco à Montevidéu,
durante a intervenção militar brasileira contra o governo
de Atanasio Aguirre no Uruguai. Pouco depois, o Uruguai, sob novo governo,
mais o Brasil e a Argentina firmariam a Tríplice Aliança,
contra a ofensiva do ditador paraguaio Francisco Solano López.
Em março de 1865, rumou com o Exército brasileiro para
o Paraguai, que havia invadido a província do Mato Grosso. Deodoro
comandava o 2o Batalhão de Voluntários da Pátria.
Seu desempenho no combate lhe garantiu menção especial
na ordem do dia 25 de agosto de 1865. No ano seguinte, recebeu comenda
no grau de Cavaleiro da Ordem do Cruzeiro.
Em 1885, tornou-se pela segunda vez comandante d’armas da Provincia
do Rio Grande do Sul, cargo exercido juntamente com o de Vice-Presidente
da Província. Tornaria-se, depois, Presidente interino dessa
mesma Província. Em 30 de agosto de 1887, recebia a patente de
Marechal-de-Campo.
Pelo seu envolvimento na “Questão Militar” –
confronto das classes armadas com o governo civil do Império
– Deodoro foi chamado de volta ao Rio de Janeiro. Na verdade,
o Marechal Deodoro havia permitido que a oficialidade da guarnição
de Porto Alegre se manifestasse politicamente, o que era proibido pelo
governo imperial. Chegando ao Rio, Deodoro foi festivamente recebido
por seus colegas e pelos alunos da Escola Militar. Foi, então,
eleito primeiro presidente do Clube Militar, entidade que ajudara a
constituir.
Em 1888 Deodoro foi nomeado para o comando militar do Mato Grosso. Permaneceu
no posto somente até meados de 1889, quando voltou para o Rio
de Janeiro.
A Proclamação da República
A despeito da intensa propaganda republicana, a ideia da mudança
de regime político não ecoava no país. Em 1884,
foram eleitos para a Câmara dos Deputados, apenas três republicanos,
inclusive os futuros Presidentes da República Prudente de Morais
e Campos Sales. Na legislatura seguinte, apenas um conseguiu ser eleito.
Na última eleição parlamentar realizada no Império,
a 31 de agosto de 1889, o Partido Republicano só elegeu dois
Deputados.
Percebendo que não conseguiriam realizar seu projeto político
pelo voto, os republicanos optaram por concretizar suas ideias através
de um golpe militar. Para tanto, procuraram capitalizar o descontentamento
crescente das classes armadas com o governo civil do Império,
desde a Questão Militar. Precisavam, todavia, de um líder
de suficiente prestígio na tropa, para levarem a efeito seus
planos.
Foi assim que os republicanos passaram a aproximar-se de Deodoro, procurando
seu apoio para um golpe de força contra o governo imperial. O
que foi difícil, visto ser Deodoro homem de convicções
monarquistas, que declarava ser amigo do Imperador e lhe dever favores.
Dizia ainda Deodoro querer acompanhar o caixão do velho Imperador.
Em 14 de novembro de 1889, os republicanos fizeram correr o boato, absolutamente
sem fundamento, de que o governo do Primeiro-Ministro liberal Visconde
de Ouro Preto havia expedido ordem de prisão contra o Marechal
Deodoro e o líder dos oficiais republicanos, o Tenente-Coronel
Benjamin Constant. Tratava-se de proclamar a República antes
que se instalasse o novo Parlamento, recém-eleito, cuja abertura
estava marcada para o dia 20 de novembro.
A falsa notícia de que sua prisão havia sido decretada
foi o argumento decisivo que convenceu Deodoro finalmente a levantar-se
contra o governo imperial. Pela manhã do dia 15 de novembro de
1889, o Marechal reuniu algumas tropas e as pôs em marcha para
o centro da cidade, dirigindo-se ao Campo da Aclamação,
hoje chamado Praça da República. Penetrando no Quartel-General
do Exército, Deodoro decretou a demissão do Ministério
Ouro Preto – providência de pouca valia, visto que os próprios
Ministros, cientes dos últimos acontecimentos, já haviam
telegrafado ao Imperador, que estava em Petrópolis - RJ, pedindo
demissão. Ninguém falava em proclamar a República,
tratava-se apenas de trocar o Ministério, e o próprio
Deodoro, para a tropa formada diante do Quartel-General, ainda gritou
um “Viva Sua Majestade, o Imperador!”.
Enquanto isso, D. Pedro II, tendo descido para o Rio de Janeiro, em
vista da situação, reuniu o Conselho de Estado no Paço
Imperial e, depois de ouvi-lo, decidiu aceitar a demissão pedida
pelo Visconde de Ouro Preto e organizar novo Ministério.
Os republicanos precisavam agir rápido, para aproveitar os acontecimentos
e convencer Deodoro a romper de vez os laços com a mo narquia.
Valeram-se de outra notícia falsa. Quintino Bocaiúva e
o Barão de Jaceguai mandaram um mensageiro a Deodoro, para informar-lhe
que o novo Primeiro-Ministro, escolhido pelo Imperador, era Gaspar Silveira
Martins , político gaúcho com quem o Marechal não
se dava por conta de terem disputado o amor da mesma mulher na juventude.
Assim, foi Deodoro convencido a derrubar o regime.
Pelas três horas da tarde, reunidos alguns republicanos e Vereadores
na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, foi lavrada uma ata, declarando
solenemente proclamada a República no Brasil, que foi levada
ao Marechal Deodoro.À noite do dia 15, o Imperador encarregou
o Conselheiro José Antonio Saraiva de presidir o novo Ministério.
O novo Primeiro-Ministro se dirige por escrito ao Marechal, comunicando-lhe
a decisão do Imperador, ao que responde Deodoro que já
havia concordado em assinar os primeiros atos que estabeleciam o regime
republicano e federativo.
Após a proclamação da república
foi instituído provisoriamente um governo comandado pelo
marechal Deodoro da Fonseca. O primeiro ministério da
república era formado por:
Após a proclamação da república
foi instituído provisoriamente um governo comandado pelo
marechal Deodoro da Fonseca. O primeiro ministério da
república era formado por:
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Presidente - Marechal Deodoro da
Fonseca (M)
Ministro do Interior – Aristides Lobo (M)
Ministro da justiça – Campos Sales (M)
Ministro da Fazenda – Rui Barbosa (M)
Ministro das Relações Exteriores –
Quintino Bocaiúva (M)
Ministro da Agricultura, comércio e obras públicas
– Demétrio Ribeiro (?)
Ministro da Guerra – Benjamin Constant (M)
Ministro da marinha – Eduardo Wandenkolk (M)
(M) = Maçom
(?) = Alguns dizem que todo o
Ministério era formado por maçons, não
encontramos documento ou citações em documentos
oficiais maçônico que Demétrio Ribeiro
tenha pertencido à maçonaria |
Os governantes então estabeleceram
algumas medidas como banir a família imperial, a escolha
do regime federativo republicano de governo, a transformação
das antigas províncias em estados, a subordinação
das forças armadas ao governo, determinou Rio de Janeiro
a sede do governo federal, extinguiu o conselho de estado, reconheceu
os compromissos do governo imperial, criou a bandeira republicana,
convocou uma assembléia constituinte, separou a igreja
do estado e instituiu o casamento civil, e reformou o código
penal.
Paulo
S. Rodrigues Carvalho : Primeiro
Ocupante da Cadeira nº 15.
|
*Hoje cidade Deodoro, próxima de Maceió, conservando toda
a característica da época.- Foto casa que Mal. Deodoro
viveu até os 16 anos de idade. Hoje MUSEU DEODORO.
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