Autoridades na Maçonaria Brasileira.
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RESUMO HISTÓRICO : - Cadeira 23 - Gonçalves Ledo.

 

Joaquim Gonçalves Ledo – Cadeira 23.

Obreiro da Loja Comércio e Artes-Rio de Janeiro. - 1º Vig. do Gr. Or. - Faleceu em 19/05/1874.
"Um dos maiores autores da Independência, se não o maior, filho de Antonio Gonçalves Lêdo e de D. Maria dos Reis Lêdo, nasceu no dia 11 de dezembro de 1781, em Cachoeira de Macacu, no Rio de Janeiro.
Com 14 anos de idade, seguiu para Portugal, para completar seus preparatórios e matricular-se na Universidade de Coimbra.
A morte do pai, em 1.808, impediu Lêdo de continuar estudando na Europa, obrigando-o em voltar ao Brasil. Logo aqui chegando, ocupou cargo administrativo no Arsenal de Guerra, que exerceu com proficiência, o que lhe atribuiu notável prestígio e, por sua inteligência e cultura, se revelou um dos melhores jornalistas de seu tempo.
Imbuido dos ideais democráticos dos enciclopedistas, Lêdo era realmente republicano, mas soube sufocar seu ideal político ao sentir que só a monarquia constitucional poderia fazer a Independência.
Em setembro de 1821, circula no Rio de Janeiro o primeiro número do jornal "Revérbero Constitucional", fundado e dirigido por Gonçalves Lêddo e seu inseprável amigo, o Cônego Januário da Cunha Barbosa, órgão de imprensa que muito concorreu na preparação dos espíritos para a Independência.
Coube a Lêdo maior participação no movimento para a permanência do Príncipe D. Pedro no Brasil, evento que passou para a história como o DIA DO FICO, que foi, de direito e de fato, o grande passo para a Independência.
Foi, no conceito da história, um dos amigos mais sinceros de D. Pedro.
Extraordinariamente modesto, Joaquim Gonçalves Lêdo lutou pela Independência com sincero amor, e não por ambição de cargos, títulos e honrarias. Recusou, por duas vezes, ser Ministro de D. PedroI, o mesmo fazendo com o título de Marquês, que o Monarca lhe quis conceder.
Se exerceu em várias legislaturas o mandato de Deputado pela Província do Rio de Janeiro, foi porque essa honraria lhe vinha do povo.
Entre as páginas memoráveis de Gonçalves Lêdo, destacamos o primoroso discurso proferido em 20-05-1822, na Loja Maçônica "Comércio e Artes".
O Brasil já era, na época, Reino Unido à Portugal e Algarves, mas as cortes de Lisboa intentavam fezê-lo voltar ao estatuto de Colônia.
É da brilhante peça de oratória, dirigida ao hesitante Príncipe D. Pedro e onde entre seus arrojados conceitos está a antecipação da doutrina de Monroe, que extraímos:
"...SENHOR! A natureza, a razão e a humanidade, esse feixe indissolúvel e sagrado, que nenhuma força humana pode quebrar, gravam no coração do homem uma propensão irresistível para, por todos os meios e com todas as forças, em todas as épocas e em todos os lugares, buscarem ou melhorarem o seu bem estar.
A natureza não formou satélites maiores que os planetas. A América deve pertencer a América, a Europa à Europa, porque não debalde o Grande Arquiteto do Universo meteu entre elas o espaço imenso que as separa."

Eis aquele que foi, incontestavelmente, o vulto primacial nas ocorrências que ocasionaram a nossa Independência - GONÇALVES LÊDO.
Faleceu em sua fazenda no Sumidouro, Rio de Janeiro, no dia 19 de maio de 1847.
(Transcrito do Livro "Biografia de Maçons Brasileiros" de Renato Mauro Schramm, pág. 137 a 139 - Edição 1999)