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RESUMO HISTÓRICO : - Cadeira 30 - Leocádio Pereira.

 

Leocádio Pereira da Costa – Cadeira 30.

Trabalhou na alfândega, em Paranaguá-PR, de 1878 a 1881.

A revista "Cruzada" inseriu a seguinte biografia deste illustre paranaense, que com devida venia, aqui reproduzimos:
"Nasceu na cidade de Paranaguá a 7 de Dezembro de 1832.
Foram seus paes o Major Francisco Antonio Pereira e D. Joaquina da Costa Pereira. Era o 2º netto varão do Capitão-mor Manoel Antonio Pereira - tronco das familias Pereira e Correia.
A descendencia de Leocadio Pereira da Costa é de (em 1920) 5 filhos, 22 nettos e 25 bisnettos.
Ficando orphão aos 12 annos, foi educado pelo seu tio paterno, o Coronel Antonio Pereira da Costa ( Tonhá ), negociante da prça de Paranaguá, que o preparou para a vida commercial na qual trabalçhou até 1862.
Dedicava, entretanto, as horas vagas ao cultivo da literatura, para a qual sentia grande vocação.
Abandonando a vida mercantil, fundou, em 1862, o primeiro jornal que se publicou em Paranguá, com o título de "Commercio do Paraná" até 1865, cuja colleção encadernada se encontra nos archivos da Camara Municipal, que recentemente deu o seu nome a uma das principaes praças nossas.
Desde o 1º numero do "Commercio do Paraná", Leocadio Pereira revelou-se um jornalista de pulso e um literato primoroso, que a todos encantava pela sabedoria dos seus conceitos, abordando as questões politicas e economicas; e pela belleza do seo estylo na prosa e na poesia.
Folhetinista de extraordinario humorismo e de rara fecundidade nesse genero leterario, era considerado como o primeiro folhetinista sa sua epocha.
Possuia igualmente o dom da tribuna, onde muitas vezes foi ouvido em conferencias literarias, que era, calorosamente applaudidas pela impecavel riqueza da sua palavra facil e colorida.
Passando a propriedade do "Commercio do Paraná" ao seu ami go José Ferreira Pinheiro, entrou para a carreira do funciuonalismo publico, como Ajudante do Inspector de Alfandega de Paranaguá.
A sua aptidão foi logo notada pelo governo, que o nomeou para outros cargos de confiança em Curityba, no Ceará e no Rio de Janeiro. Voltando á sua terra natal, como Inspetor da Alfandega, cargo que exerceu por duas vezes em 1879 e 1884, aqui falleceu e 1º de abril de 1884, aos 51 annos de edade incompletos.
Seus trabalhos literarios, poesias, romances e folhetins existem publicados em diversos jornaes, tanto do Paraná, como de outros Estados, onde eram transcriptos e apreciados" ("Cruzada" - Fevereiro 1920).
Para demonstrar o estylo deste illustre paranaense vamos transcrever algumas estrophes da sua saudação aos Voluntarios da Patria no seu regresso á Curityba:

Mancebos valente, heroicos soldados
Filhos amados da terra da Cruz!
Escudos da patris, gigantes da guerra
Voltastes a terra, radiante de luz!

Esse fogo divino, por Deus enviado
A todo o soldado que a patria accenou
Era chamma sagrada do seu patriotismo
Que, com heroismo, jamais se apagou

Travou-se o combate, medonho, terrivel!
E a cohorte invencivel não teme o canhão;
Avante caminha, garbosa, altaneira
Desfraldando a bandeira dáuri verde pendão!

Ao som das bombardas - dragões das batalhas
Lançando metralhas que a morte traziam,
Os filhos da patria valentes soldados
Em sangue balhados, o campo tingiam

Victoria! victoria! exclamavam os bravos
A turba de escravos se rposta no chão,
Victoria! repetem as auras que passam
E todos se abraçam - está salva a nação.

Os dois grande mestres de Leocadio Pereira foram França Junior, na prosa e Domingos de Magalhães no verso.
Leocadio Pereira foi, de facto, um paranaense de valor pelas luzes do seu previlegiado talento.
(Extraído do "Dicionário Histórico e Geográfico do Paraná" - Ermelino A. de Leão - I.H.G.P. - 1994 - pág. 1154 a 1156)