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RESUMO HISTÓRICO : - Cadeira 32 - Major Ramalho.

 

João Antonio Ramalho – Cadeira 32.

Nasceu dia 08/02/1849, na Lapa-Pr.
Filho de Generoso José Ramalho, portugues e dona Benedicta Alves dos Santos, mineira. Professor de Música.
Promotor Publico e Escrivão de Orfãos. Foi promovido pelo Gen. Carneiro a tenente-coronel pelos atos de bravura em combate durante o cerco da Lapa. Exerceu varios cargos publico de menos importancia, até sua morte, passado por sérias dificuldades financeiras. Faleceu em 26/02/1910, na Lapa.

Trabalhador, honesto e sensato, conquistou desde cedo a simpatia de quantos o conheciam.
Exerceu vários misteres, inclusive o de professor primário e de música, atingindo o cargo de promotor público e escrivão de órfãos.
Coração bondoso, era o amparo espiritual dos infelizes e aflitos que se lhe dirigiam em busca dos sábios conselhos e sensatas decisões.
Era-lhe grande prazer contribuir para a felicidade de outrem.
Caridoso por índole, não lhe foi possível amontoar grandes haveres. Não raro deixava um envelope anônimo sob a porta daquele que passava necessidade ou se encontrava em desesperadora situação.
Esse apóstolo do bem e da verdade não podia assistir de braços cruzados ao desenrolar da revolta federalista.
Muito relacionado, contando com vasto círculo de relações, acedeu ao primeiro convite do Coronel Joaquim Lacerda para fazer parte do batalhão patriótico "15 de novembro".
Carater reto e probo, deixou o cargo de secretário da prefeitura para envergar a farda em defesa da República. Aliás, êsse gesto ia ao encontro de seus ideais, pois era fervoroso partidário da República e grande admirador de Floriano Peixoto.
Com dedicação e bravura logo alcançou o posto de major, exercendo a função de fiscal do batalhão.
A resistência da Lapa salvou o govêrno de Floriano Peixoto e a República da anarquia.
Desde o início do Cêrco da Lapa à sua capitulação, Antonio Ramalho lutou à frente de sua tropa. Muitas vezes, depois de cessar fogo, vinha seu filho mais velho, a mando de sua mãe, ver como se achavam os destemidos cambatentes.
Graças à rara atividade de comando, foram salvos de massacre os seus comandados, na luta contra os revoltosos no setor do Engenho. Êle, porém, saiu ferido, mas mesmo assim, não abandonou os subalternos. O general Carneiro promoveu-o ao posto de tenente-coronel, por atos de bravura.
Com a morte de Carneiro, os revoltosos puseram-lhe à disposição um trem especial.
E, se Ramalho não seguisse nessa hora, tinha recebido como paga de seu heroismo, a traição de certos chefes revoltosos que, não cumprindo a palavra dada, fiseram correr sangue injustae impiedosamente, após a capitulação.
Sua casa foi varejada e saqueada.
Na permanência em Curitiba perdeu um filho, com quem gastara o último real que trouxera consigo.
Regressando à Lapa, apenas encontrou camas e colchão. Passou meses de miséria, ao lado da esposa e dos filhos. Durante o tempo que serviu só recebeu um mês de ordenado.
Em 1894 voltou à Curadoria dos Orfãos, donde saira para se alistar como voluntário.
Entretanto, todos foram galardoados pelos seus serviços, só Ramalho fôra esquecido. Só Ramalho recebeu como paga de tanta bravura o esquecimento.
Ainda exerceu vários cargos públicos até sua morte a 26 de fevereiro de 1910.
Dirigiu a Sociedade Musical e a Banda de Música do Congresso Recreativo.
João Antonio Ramalho tudo perdeu, menos a honra.
Com o seu falecimento a familia viu-se pela segunda vez na miséria. Sua bolsa que se esvasiava para os estranhos, nada deixava para os seus. Ficou, entretanto, um nome honrado e digno de veneração.

(Extraído do livro "Vultos Paranaense" 1 volume - Maria Nicolas - 1948 - páginas 105 a 107)