Autoridades na Maçonaria Brasileira.
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RESUMO HISTÓRICO : - Cadeira 41 - Prudente de Morais.

 

Prudente José de Moraes Barros – Cadeira 41.

Um dos fundadores da Loja Piracicaba, de Piracicaba-SP., em 24/11/1.875. - Terceiro Presidente da Republica, de 15/11/1.894 a 15/11/1.898. - Faleceu dia 03/12/1.902.-

"...Ao nascer o ituano Prudente José de Moraes Barros (Moraes com "E"), filho do fazendeiro de café José Marcelino de Barros e de sua mulher D. Catharina Maria de Moraes, em 04-10-1841. ITU era apenas uma Vila (Originária da antiga Missão de Maniçoba) que só em 02-02-1842 recebia foros de cidade.
Estudar, naqueles tempos, era coisa que só mesmo os filhos varões de gente abastada podia fazer e, pertencendo Prudente de Moraes a uma família medianamente "abastada", a sua mãe, obediente ao desejo de seu marido, assassinado traiçoeiramente em 23-12-1843 pela faca de um negro escravo, revoltado com sua sina, não teve dificuldades em dar-lhe uma instruçãoprimorosa.
Quando menino, frequentou o Colégio Delgado, de Itu, um dos mais acreditados de tôda a província de São Paulo, em 1857 pôde continuar seus estudos preparatórios no Colégio João Carlos Fonseca, na Capital da província e, finalmente, em 1859 foi matriculado na cinhecida Faculdade de Direito de São Paulo, onde em 10-12-1863 Prudente de Moraes se formou Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais.
Mais como "santo de casa não faz milagres" Prudente já em 1864 fixou residência e montoubanca de advogado na cidade de CONSTITUIÇÃO ( era então o nome da atual PIRACICABA ), onde já em 07-09-1864 acabou sendo eleito Presidente da Câmara Municipal, e onde em 28-05-1866 casou com D. Adelaide de Moraes Barros, havendo 9 filhos deste matrimônio.
Costumam afirmar que Prudente teria ingressado na Maçonaria pela Loja "Beneficência Ituana", de Itu (fundada em 29-04-1873, mas somente regularizada em 07-12-1873, no tempo em que era Venerável o Dr. Joaquim de Paula Souza.
Entretanto queremos acreditar que teria sido seu irmão mais velho, Manoel de Moraes Barros (nascido em 01-05-1836 e também formado "bacharel" que pertenceu a ESSA Oficina, fundada na cidade que ele residia, e quem sabe, talvez ele tenha sido até um de seus fundadores.
Prudente deve ter-se Iniciado Maçom ainda em São Paulo, talvez antes de completar 21 anos (como foi o caso de RuyBarbosa e tantos outros), como aconteceu com grande parte dos estudantes de Direito de São Paulo, naquela época.
Neste caso é quase certo que em 1863 tenha ingressado na Loja "7 de Setembro", em 07-09-1862 fundada por seu amigo e correligionário "Campos Salles", e Frei Vicente Ferreira Alves do Rosário, Francisco Rangel Pestana, Lins de Vasconcellos ( todos fundadores ). Como essa Loja sumiu, como por encanto, por volta de 1926, com todo o seu vasto patrimônio, e tendo sumido também todo o seu arquivo, lamentavelmente nada se pode provar.
Em outubro de 1867 foi Prudente de Moraes eleito Deputado Provincial, cargo para o qual foi depois reeleito mais duas vezes.
E não pode haver dúvida que o nosso biografado já era Maçom ao participar em 18-041873, da Convenção de Itu, juntamente com seu irmão Maçom Manoel de Moraes Barros e Claudino de Almeida Cezar, Balduino do Amaral e José da Rocha Camargo Mello, e na ocasião pronunciando Prudente um inflamado discurso republicano.
Muito estimado em "Constituição", não admira que, ao fundar-se aí uma Loja Maçônica, a Loja "Piracicaba" no ano de 1875, já em 24 de novembro deste mesmo ano recebendo Brevê Constitutivo do Grande Oriente Unido de "Saldanha Marinho", surgissem entre os 35 fundadores os nomes de dois irmãos carnais: Prudente José de Moraes Barros, que se tornou Orador na 1ª Administração da Loja regularizada em 10-02-1876, e Manoel de Moraes Barros (posteriormente Deputado federal até 1895 e Senador em 1901, tendo falecido no Rio de Janeiro em 20-12-1902.
Tendo a Loja Piracicaba adormecido pouco depois, por volta de 1882, e ainda em face das constantes andanças de Prudente de Moraes no cenário republicano, é natural que a sua atividade maçônica tenha sido nula, como costuma acontecer com a quase totalidade dos "políticos" e que por isso a sua atividade maçônica nunca teve destaque.
Ao ser proclamada a República, o povo de São Paulo, na mesma noite do dia 15-11-1889, aclamou Prudente de Moraes para fazer parte do Governo Provisório, e por Decreto de 03-12-1889 "DEODORO" o nomeou Governador de São Paulo, nomeação que foi recebida em São Paulo com entusiasmo geral, pois todos sabiam que não haveria perseguições políticas, o que era muito importante numa época de transição do regime político.
Com a proclamação da República, ao lado de Francisco Rangel Pestana e de Joaquim de Sousa Mursa, formou a Junta Governativa de São Paulo (16/11 a 12/12/1889). Em seguida, foi nomeado primeiro governador. Seu mandato cobriu o período de 14/12/1889 a 18/10/1890. Dizem, que ao pergutarem a Deodoro quais seriam as suas preferências para um Governador de São Paulo, este teria respondido impe-rativamente:
"...Governador de São Paulo? ... Quem mais, senão o Prudente?"
Exerceu Prudente o cargo de Governador até 18 de outubro de 1890, quando foi eleito Senador, até 1894.
Na eleição para Presidente da República, de 25 de fevereiro de 1891, Prudente concorreu contra Deodoro, obtendo 97 votos, ou seja, apenas 32 a menos do que Deodoro, que obteve 129 votos.
Perdendo por uma margem bastante estreita, isto não deixou de o incompatibilizar com Deodoro, e ainda mais com o sucessor totalitário deste, o Marechal Floriano Peixoto (que segundo Kurt Prober não foi maçom).
Por isto mesmo, quando em 01-03-1894 acabou sendo eleito em novo sufrágio, muitos tiveram dúvidas se Floriano lhe iria entregar o poder, mas estando este já bastante debilitado, ele preferiu que Prudente assumisse as rédeas do governo, passado-lhe uma situação aonturbada com revoluções por toda a parte e o país a braços de uma inflação galopante.
Mas contra todas as expectativas pessimistas, Prudente de Moraes fez um Governo impávido e sereno, e antes de tudo perfeitamente equilibrado, conseguindo extinguir as revoltas, sem humilhar os vencidos, e somente os fanáticos de CANUDOS, depois da 4ª ou 5ª tentativa, teve de combater a ferro e fogo. E até as finanças do país, depois do famoso "encilhamento" pôde entregar ao seu sucessor e amigo em vias de saneamento.
Em pleno período presidencial, no ano de 1896, algumas Lojas Maçônicas de São Paulo resolveram lançar o nome de Prudente de Moraes para a candidatura de Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, em oposição ao Gr.'. M.'. Macêdo Soares.
Mas lastimavelmente só sete Lojas paulistas, quatro gaúchas e uma paranaense lhe devotaram votação maciça, resultando daí um placar final de apenas 577 votos para Prudente, contra 3467 votos para Macêdo Soares.
Nunca mais o nome de Prudente de Moraes apareceu relacionado com qualquer atividade maçônica.
Em 05 de novembro de 1897 quase acontecia ao Presidente Prudente o que em 1843 acontecera a seu progenitor. O soldado Marcelino Bispo avançou contra ele, brandindo um punhal, e acudindo o Marechal Machado Bittencourt em sua defesa, acabou este sendo apunhalado, o que muito abateu o Presidente, pois tratava-se de um amigo que lhe era muito caro.
Voltando de um tratamento de saúde em Cambuquira, onde fora a conselho de seu médico e sobrinho, o Dr. Paulo de Moraes Barros, que tinha descoberto que Prudente estava tuberculoso, ele acabou passando para o Oriente Eterno em 03-12-1902, 17 dias antes de seu Irmão Manoel. O desenlace deu-se em sua residência de Piracicaba, tendo sido o seu sepultamento uma "epopéia dolorosa" para a Cidade, como disse um escritor da época.
Nenhuma homenagem póstuma foi prestada ao ilustre Maçom desaparecido, pelo Grande Oriente do Brasil, cujos dirigentes pertenciam a "outro partido político" e, "Macêdo Soares" assim se vingava do candidato da oposição.
( Transcrito do Livro "Biografia de Maçons Brasileiros", de Renato Mauro Schramm, pág. 237a 241 - Edição 1.999)

Trabalhos Publicados
- Discurso do Sr. Prudente de Moraes, pronunciado na sessão de 26 de março de 1879. São Paulo: Typ. da Província de São Paulo, 1879. 40 p.
- Discursos pronunciados na Assembléia de São Paulo. [S.l.: s.n.], 1879.
- A fronteira Ocidental do Pará: contestação e razões finais do Estado do Pará na ação que lhe move o do Amazonas. Rio de Janeiro: Jornal do Commercio, 1919. 561 p.
- Mensagem apresentada ao Congresso Nacional em 3 de maio de 1895 pelo Presidente da República Prudente J. de Moraes Barros. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional,1895. 25p.
- Mensagem apresentada ao Congresso Nacional na abertura da primeira sessão da terceira legislatura pelo Presidente da República Prudente J. de Moraes Barros. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1897. 31 p.
- Mensagem apresentada ao Congresso Nacional na abertura da terceira sessão da segunda legislatura pelo Presidente da República Prudente J. de Moraes Barros. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1896. 32 p.
- Mensagem dirigida ao Congresso Nacional sobre as medidas tomadas durante o Estado de Sítio pelo Presidente da República Prudente J. de Moraes Barros. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1898. 44 p.
- Mensagem ao Presidente da República Dr. Manoel Ferraz de Campos Salles, apresentada pelo Dr. Prudente J. de Moraes Barros, em 15 de no vembro de 1898. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1898. 86 p.
- A nação brasileira. Rio de Janeiro: [s.n.], 1894. 9 p. (Discurso pronunciado por ocasião de sua posse).
- Orçamento e política geral. In: OS DEPUTADOS na Assembléia de São Paulo.SãoPaulo:[s.n.],1888.
- Projeto de imposto sobre escravos. [S.l.: s.n.], 1888.
- Relatório dos trabalhos do Senado Federal: 1892 a 1894, [S.l.: s.n.],[189-].

Mandatos
Vereador - 1865 a 1868
Deputado Provincial - 1868 a 1869; 1878 a 1879; 1881 a 1882; e de 1888 a 1889
Deputado Geral - 1885 a 1886.