Autoridades na Maçonaria Brasileira.
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DARIO PERSIANO DE CASTRO VELLOZO.

Delegado do Grande Oriente do Brasil, no Paraná, de 20/04/1908 a 20/07/1909

Dario Persiano de Castro Vellozo

Extraído do livro Dario Vellozo Cronologia de Erasmo Pilotto. Curitiba - Paraná - 1969.
por Hiran Luiz Zoccoli M.I.
Membro da Academia Paranaense de Letras Maçônicas -Cadeira 14 -
Patrono: Dario Persiano de Castro Vellozo.

Nasceu no dia 26 de novembro de 1869, no bairro de São Cristovão, na cidade do Rio de Janeiro, filho de Ciro Persiano de Almeida Vellozo e Zulmira Mariana de Castro Vellozo.
Em 1885 entra para a oficina tipográfica de Moreira Mazimo e Cia., onde se fez compositor-tipografo, ainda no Rio de Janeiro.
O pai transfere-se com os filhos, para Curitiba, Estado do Paraná. Chegam a 04 de agosto. Dirá Dario, referindo-se a si mesmo: "Partiu. O Paraná acolheu-o. E amou o Paraná com o afeto agradecido de quem encontra um ninho à psiquê nômade e sofredora." ( A Trança Loura, in Obras, v. I, p. 418).
Vai trabalhar como tipógrafo, na oficina do jornal Dezenove de Dezembro.
Em 21 de outubro de 1893, paga seu tributo com a natureza, tomando uma esposa de nome Escolástica.
"O mais importante movimento literário paranaense foi liderado por êle" ( Dario Vellozo), "por Silveira Netto e por Júlio Pernetta, os quais, com Antônio Braga, fundaram a revista O Cenáculo ( 1895 - 1897 ). "Andrade Muricy, Panorma, V. I, p. 340).
O primeiro número de O Cenáculo aparece em abril de 1895, impresso na tipografia Paranaense.
- "Em 95 - lembras-te? - nossa alma se afinizou num sincero impulso de afeição recíproca ( ... )" (Dario Vellozo, carta a João Itiberê, prefaciando Ciência Oculta, art. na revista Club Coritibano, ano IX, nº 9, 1898). A partir de então a aproximação intelectual de ambos é profunda. A respeito dessa aproximação, Dario deixou-nos êsse testemunho: "Hemos subido, por vêzes, em deliciosas palestras, aos sonhos magnificientes do Grande Arcano, abrindo lotus de confidências, lírios de idílios mortos, numa confabulação muito íntima e muito boa. Hemos descido à noite das idades extintas, das civilizações apagadas, perdidas naquela assombrosa terra inolvidável do Oriente e do Egito, - terra do Ganges, terra do Eufrates, terra do Nilo! Hemos, ainda, peregrinos que somos do Sonho e da Arte, entrado necrópoles de Menfis, templos de Elora, jardins suspensos da Babilônia! - Por vêzes, uma estrela cintila, - rubi feérico, engastado num zainfe de onix; é a flama dos atanores, brilhando nos castelos da Idade Média; é o fanal do alquimista, perpetuando os ensinamentos da Arte espargírica. Por vêzes, entre as ameias ruidas das tôrres abandonadas, erra um espectro: Astrólogo interpreta o simbolismo dos pentagramas celestes." (Dario Vellozo, Ciência oculta, na revista Club Coritibano, ano IX, 1898, nº 9).
O nº 1 do Club Coritibano dêste ano publica Tableau malsain, primeira poesia de João Itiberê que a revista referida estampou. Soneto de nítida inspiração baudelairina:
"Je la vis étendue en une pose lasse
De panthère repue, ivre de sang tout frais .... "

Em 1896 publica Esquifes, prosa, Impressora Paranaense, reunindo produções de 1892 a 1895. A publicação é a nº 2, da Biblioteca do Cenáculo. No prefácio diz: "( ...) agora que, levado para outro centro de ação, em que não há desferir seguidilhas e barcarolas, impossível se me torna salmodiar demoradamente as cândidas litanis sonhificadoras de místicos e trovadores: - resolvi, em antes de para sempre abandonar o país das suavidades nostalgicas, reunir os raros fragmentos de uma esperança morta ... que, como os Primeiros Ensaios, resumem as singelas primícias de peregrina romaria litarária ...". "( ... ) uma recordação, uma lembrança, atestando o extremo final da venturosa fase ( ... )".
- "O aroma do Panteismo atraia-me ao Oriente. Foi quando se me deparou o nº 30 da Revue Encyclopedique Larousse, e traduzi e entrei a publicar no clube Curitibano ( ano VII, nº 9, 15 de setembro de 1896 ) as primeiras notícias que me vinham de Teosofia e Ocultismo. Estudei Papus, Barlet, De Guaita, Sedir, Saint-Yves d'Alveydre, Fabre d'Ollivet, Court de Gébelin ... " ( Dario Vellozo, À margem do cristianismo esotérico, in Ramo de Acácia, ano IV, nº 28, 1911).
Será bom, talvez, já agora prestar atenção à palavra Panteismo, usada por Dario na expressão acima: "o aroma do Panteismo ... ". A sua filosofia. afinal, será um panteismo, - Dario é um panteista.
- Nesse momento de sua atração pelo Oriente referido aqui, e que, por certo, influirá, como é fácil de supor, em tôda a sua admiração futura pelo Oriente, pensamos que está presente a influência de Pièrre Loti, que será uma das suas admirações e literaturas que mais o tocam. Em 1896, o Cenáculo começa a publicação de Jerusalém, de Pièrre Loti. Uma nota da redação, ao pé da página, refere-se a Le Desert, do mesmo autor. A bibliografia do INP possui senão tôdas, a maioria das obras de Lotie a êle Dario dedicou vários artigos verdadeiramente carinhosos.
- "Os estudos de Teosofia e Ocultismo encetei-os, em maio de 1896, com a leitura do Tratado Metódico de Ciência Oculta, de Papus. À pág. 1062, dessa obra, se me depararam pela primeira vez os Versos Dourados, traduzidos do grego por Fabre d'Ollivet. Em setembro do mesmo ano, encetava a vulgarização das doutrinas esotéricas pela revista Clube Curitibano, ano VII." ( Dario Vellozo, Horto de Lysis, 1922, p. 173 ).
- "Há onze anos estudo a Teosofia, há quinze o Ocultismo; em ambos hei encontrado base idêntica à dos Antigos Mistérios, à da Doutrina dos Colégios Iniciáticos, - sintetizada na Escola de Crótona, fundada por Pitágoras, e continuada até a época atual ( ... )". (Dario Vellozo, À margem do cristianismo esotérico, in Ramo de Acácia, IV. out. a dez. de 1911, nº 28, pp. 311/312).
No dia 30 de agosto de 1896, vindo de Minas, chega a Curitiba, Emiliano Pernetta. Essa presença é de alta importância na composição da paizagem intelectual do Paraná. Nós a colocamos, pela sua significação, ao lado da de João Itiberê, - a dêste mais discreta mas não menos profunda, e a de Emiliano aproveitando os transbordamentos de seu temperamento. Por sua vez, registremos o fato de que as poesias que vão compor Ilusão, foram tôdas escritas a partir daí. E Andrade Muricy observa que nesse período é que principiam as poesias simbolistas de Emiliano: "... êle apenas começava a tentar a arte nova." De nossa parte, notamos que Christi, audi nos, poesia de cunho espiritualista de Emiliano, ainda que seja de evidente inspiração na Sagêsse, de Verlaine, pode bem que reflita um pouco ao menos o ambiente espiritualista que Dario imprimiria ao movimento literário local, uma vez que Emiliano, em tudo, se afirmava sempre materialista.
Notemos que Christi, audi nos é dessa época, foi dedicada a Dario Vellozo, publicada na revista Club Coritibano e, depois, não foi incluida na Ilusão, de Emiliano. Essa não inclusão deve ser significativa, tanto mais que, do ponto de vista estético, a poesia é excelente.
- "Verlaine! o místico, o evocativo do Jadis et Naguère, o piedosíssimo das Mes Prisions! É preciso ter-se ouvido Emiliano Pernetta para se compreender Verlaine em tôdas as fugitivas nuances de sua Arte. Ouvi-o em 1896; ouvi-o, e o perfil original e bizarro do autor da Sagesse ficou-me no espírito brilhando ( ... ) Os seus Malditos! - Corbière, Mallarmé, Rimbaud, L'lsle-Adam. ( ... ) Em maio de 96, entrando na Livraria Impressora, deparouse-me o Traité Methodique de Science Occulte, de Papus, de que já me havias falado. Comprei a obra imediatamente, e uma nova e resplandente Castália e um novo Universo formaram-se ente meus olhos, e uma luz mais pura e mais intensa que a da ciência experimental feriu-me a vista, e na minha alma de torturado e de triste, desabrochou, resplandorosa, a flor de lotus da Esperança." ( Dario Vellozo, carta a João Itiberê, já citada, na revista Clube Coritibano, ano IX, 1898, nº 9).
No dia 28 de fevereiro de 1898 é nomeado interinamente para a cadeira de História da Escola Normal, em substituição ao Dr. Pereira Lagos, que se aposentara.
- O nome de Emiliano Pernetta aparece, pela primeira vez, no cabeçalho no nº 1, dêste ano, da revista Club Coritibano, encimando a lista dos redatores, continuando Dario como diretor literário.
- Escrito de 8 a 25 de dezembro de 1897, e publicado primeiro, na revista Club Coritibano, nos nº 6,7 e 8 dêste ano de 98, aparece, depois, em plaquete, Althais. Em 1922, Althair é escolhido para fechar o livro Símbolos e Miragens.
Quando apareceu Althair na plaquette, feita pela tipografia e litografia Impressora Paranaense, a página da capa trazia ao alto a expressão Dos símbolos; na página seguinte, dedicatória ao "Dr. Emiliano Pernetta". A seguir, vinha carta a Domingos Nascimento, - espécie de manifesto da linha esotérica do simbolismo no Paraná, representada por Dario. Nem a dedicatória, nem a carta aparecem depois em Símbolos e Miragens. Lembremos que, em outra oportunidade, Dario escrevera: "Os símbolos são modos sintéticos de grafar os ensinamentos. ( ... ) apresentando à Memória do Iniciado, - de um só golpe de vista, e facilmente, - lições ou regras de conduta, conhecimentos artísticos, científicos, filosóficos, etc., cujo ensinamento ou assunto, esplanado em linguagem vulgar, daria páginas ou volume." Seria, além disso, "uma linguagem universal".
Alma Penitente e Althair serão o primeiro elo de uma cadeia, de que Atlântida será o último. Para se compreenderem os fatos, são elucidativas as considerações as seguintes, de uma carta de Gonzaga Duque a Dario, publicada no nº 1, do ano de 1899, da revista Club Coritibano, sôbre aquelas duas primeiras obras: "Dos estudos de Papus, de Baraduc e Louys, dos rebuscamentos e experimentações de W. Crookes e Berthelot, das constatações de Rochas e Gibier, dos livros do Santo Elifas Levi e dos seus discípulos, vai surgir a Arte de Amanhã, grandiosa e serena como as Esfinges, misteriosa e potente como as pirâmides. Poucos, dentre os daqui, poente para onde tendem os últimos raios de uma civilização que passa, têm a Iniciação dessa Verdade.
Dêsses raros que eu conheço, és o que melhor imprime ao trabalho os contôrnos irisantes da Forma desejada. "
"A primeira visão dos ensinamentos do discípulo de Ferécidas tive-a ao escrever a Grécia Esotérica, 1899." (Dario Vellozo, Do Retiro Saudoso, in Obras, v. I, p. 375).
- Aparece Templo Maçônico, primeira edição em 1899.
- Publica-se o 1º número de Esphinge, no mês de julho, - "a primeira revista que no Brasil se consagrou a estudos esotéricos." Traçava assim o seu programa: "Ciência, Arte, Mistérios: eis os três lados do Triângulo, os três elementos de realização, a triade sagrada, a tri-unidade que fulge no sólio magnificente da SABEDORIA. Longe de se destruirem, complementavam-se. Se, neste século, aparecem divorciadas, é que a Religião perdeu as tradições, e tentou invadir os domínios da Ciência; é que a Ciência, ultrapassando os limites de sua esfera de ação, tentou avassalar o Absoluto, o Incognocível. Daí os conflitos entre a Religião, a Arte e a Ciência. Volva cada qual aos seus domínios, prossigam nobre e digna e superiormente em sua grandiosa missão pelo Bem; e, como na Antiguidade, longe de se destruirem, se completarão, - na obra coletiva da Felicidade Humana, - o Grande Problema, a Grande Obra de realização de nossa espécie, no Planeta. Êsse o magnânimo Ideal dos ocultistas contemporâneos. Êsse o trâmite da Esphynge."
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"O Brasil não podia conservar-se alheio ao belo movimento que se tem acentuado na Europa e se vai acentuando na América. Os arautos do século XX proclamam a Renascença do Espírito, a Era Nova da Alma. Os templos da Ciência Oculta ilumina-se; sábios e pensadadores grupam-se, - em Centros de Estudos Esotéricos - continuando as tradições da Kabbala, da Gnose, da Rosa + Cruz ... Os Símbolos da Maçonaria fulgem nos Santuários; e a Alma das Tradições surge, numa aspiração radiosa, alimentando no coração dos F.'. V.'. a Flambejante estrela da Esperança."
Talvez seja aqui o lugar de abrir um parenteses, para antecipar a relação da série de revistas doutrinárias que Dario vai criar e dirigir. São elas:
Esfinge ( 1899/1906 )
Ramo da Acácia ( 1908/1912 )
Mirto e Acácia ( 1916/1920 )
Luz de Krotona ( 1921/1927 )
A Lâmpada ( 1931 - 1ª época ) ( 1936/1937 ). A Lâmpada prossegue a sua publicação, após o falecimento de Dario Vellozo.
Se acompanharmos com atenção essas revistas, ao mesmo tempo que uma grande unidade de orientação, notamos, apesar disso, nítidos momentos diversos, ou centros de acentuação do interêsse do espírito que as orientou. O período da Esfinge é, eminentemente, de martinismo e maçonaria esotérica; o período do Ramo de Acácia é de maçonaria e luta pela liberdade da consciência; o período de Mirto e Acácia é de maçonaria e neo-pitagorismo; os períodos posteriores são eminentemente neo-pitagóricos. É verdade que, em todos os períodos, há acentos de cada um dos períodos isolados, e aquela distinção apenas marca, como dissemos, o centro de gravidade na evolução dos interêsses em Dario Vellozo.
Por outra parte: neste ano de 1899, Dario entraria em contacto com H. Girgois, Supremo Delegado para a América do Sul, do Groupe Independante de Études Esotèriques, de Paris, criado e dirigido por Papus. Papus e o Groupe eram martinistas. Dario fez-se martinista. Pouco mais ou menos tempo teria ingressado na Association Alchimique de France, de que Jollivet-Castelt era Grande-Secretário. Na revista Esfinge encontramos, na parte de títulos e cabeçalho, - ou ao lado do nome de Dario ou da denominção Luz Invisível, - seja os símbolos da maçonaria, seja os símbolos daquelas sociedades. Sabe-se que Girgois fazia alguma oposição à idéia maçônica, julgando-a muito eivada do espírito de luta, enquanto o martinismo levantava antes, a bandeira da união de todos. Dario, porém, mostrava-se, neste momento, fortemente impregnado da idéia da Maçonaria esotérica, como o demonstra o seu livro Templo Maçônico. E, assim, segundo consta, a solicitações de Girgois, já o 1º número da revista Esfinge, e, em 3 de maio de 1900, será fundado o Centro Esotérico Luz Invisível; e em setembro será fundada a Loja Maçônica Luz Invisível, criada para atender às idéias de maçonaria esotérica, que não se satisfariam na vida das outras lojas do Paraná. A fundação das duas entidades separadas explicar-se-á por aquelas objeções de Girgois e pelo fato de Dario desejar simultâneosos dois movimentos, o maçônico e o martinista, que não podia achar incompatíveis. Note-se, com efeito, que o artigo de apresentação diz: "sábios e pensadores grupam-se, - em Centros de Estudos Esotéricos (...)"; e: "Os símbolos da Maçonaria fulgem nos Santuários." No 1º número da revista, Dario assina como maçon, ainda que já anuncie os Centros. No número 9 encontramos os três símbolos; maçônico, martinista e da Association Alchimique.
E, afinal, a sagaz observação de Girgois ia confirmar-se na evolução que estamos traçando: na medida em que o eixo das atividades de Dario é de lutas, é também mais acentuadamente maçônico, - uma etapa que êle depois vai superar, mas só então, com o predomínio posterior de sua orientação neo-pitagórica, e tanto mais quanto mais essa orientação se aprofunda.
O conjunto das suposições acima parece ter plena confirmação na inspeção dos títulos da Esfinge. Damos Alguns:
Nº 1. - Ensaios sôbre a Maçonaria.
Elifas Levi, Da Família.
Barlet et Lejay, Arte de amanhã.
Nº 2. - Papus, Ocultismo
Ernesto Bosc, Magia
O fluido universal
Nº 3. - Missão da arte
Elifas Levi, O número 5.
Nº 4. - Missão Social da Maçonaria
Elifas Levi, Legenda de Hiram
Jollivet Castelt, Alquimia
Nº 5. - Elifas Levi, Os espíritos
J. Bricaud, Medicina dos Druidas
Papus, Do Amor
E, nos números seguintes, apanhando agora mais rapidamente: Martinismo;Centros Esotéricos; Unidade da matéria; Belisama ou o ocultismo céltico nas Galias; Ocultismo no Paraná ("Ao mui ilustre S. D. G. da América do Sul"); Ocultismo e Magia, de Jollivet-Castelot; La Harpe de Merlin, de Philéas Lebesgue ("A l'Adepte inspiré/ A Dario Vellozo"); Ordem martinista, de Dario Vellozo.
Acrescentemos a todo o anterior apenas mais duas informações:
a) - os Centros de Estudos Esotéricos seriam, pelas disposições dos Estatutos, "escola onde, por seleção, se formam candidatos a iniciações posteriores";
b) - as Comissões que se compuseram para as atividades do Centro Esotérico Luz Invisível, reunindo nomes do mais alto gabarito da vida intelectual do Paraná, dão bem uma idéia da atuação e atração de Dario Vellozo:
Comissões:
Evolução filosófica e religiosa - Euzébio Motta
Medicina ( terapêutica ) - Reinaldo Machado
Medicina ( Hipnotismo ) - Manuel Carrão
Espiritismo científico - Jesuino Silva
Tradição e Maçonaria - Ermelino de Leão
Literatura Esotérica - Emiliano Pernetta e Júlio Pernetta
Finanças - Sebastião Paraná.

Em 1900 conheci Blavatsky, Annie Besant..." (Dario Vellozo, À margem do cristianismo esotérico, já citado).
- Aparece também neste ano, Esotéricas ( poesias ). "(.. ) no nº 2 da revista, deparei com algumas linhas, escritas a lapis, em que me pedias a tradução do teu belo artigo "A Grécia esotérica", a fim de o enviar a Papus, e também a versão
para o francês do prefácio das "Esotéricas", sua profunda análise onde resumiste com maestria a Missão da Arte" (Jean Itiberê a Dario Vellozo). Êsse prefácio, a carta-introdução a Domingos Nascimento em Althair e o artigo Da obra de arte publicado na revista Club Coritibano devem ser consideradas uma unidade que define a Estética de Dario nesse tão importante momento de seu labor criador. O prefácio de Esotéricas é o artigo Missão da arte, publicado na revista Club Coritibano, ano X, nº 4. abril, 1899 e na Esfinge, ano I, nº 3, setembro, 1899.
- "Domingo passado ( 9 ) em um dos salões do Clube Curitibano, realizou-se a primeira sessão ordinária do Centro Esotérico Luz Invisível, sob a presidência do Sr. Dario Vellozo, competentemente autorizado pelo Groupe Independant d'Éstudes Esotèriques ( Paris ), havendo já recebido a Carta Constitutiva, enviada pelo Supremo Delegado da América do Sul" ( Notícia em O Comércio, reproduzido na revista Esfinge, ano II, nº 10, set. 1900. Nesse nº publicam-se excertos dos Estatutos do referido Centro, assinados por Dario Vellozo. E ainda nesse número lê-se: "A Esfinge é o orgão oficial de ambos "Centro Esotérico Luz Invisível e Loja Maçônica Luz Invisível".
Em Março de 1901, sai a 2ª edição de Templo Maçonico.
- Inicia-se a publicação de Ramo de Acácia, órgão da Maçonaria do Paraná, tendo como diretor Dario Vellozo e como redatores Emiliano Pernetta, Sebastião Paraná e Niepce da Silva. Nessa ocasião, Dario era Delegado, no Paraná, do Grão Mestrado da Maçonaria Brasileira. A revista publicou-se nos anos de 1908 a 1912. O artigo de apresentação, assinado por Dario Vellozo, diz: "A Acácia é o símbolo da Renascença e da Esperança. Enflora berços que flutuam, rumo da vida;
vela túmulos que se encerram, no silêncio da Morte. Assinalou a sepultura de Hiram e os belvederes da Hêlade; às mãos dos Mestres, é como esmeralda entre arminhos: verde e branco: esperança e paz, rejuvenescimento e solidariedade. A Enciclopédia floresceu à sombra da Acácia; conheciam-na Diderot, D'Alembert, Voltaire: Danton Cazotte, Condorcet. Ramo de Acácia marcou a luminosa página da história da Humanidade em que foram inscritos os Direitos do Homem. Washington e Simon Bolivar, heróis da independência americana, levavam às mãos ramo de acácia; na bandeira dos Inconfidentes mineiros rutilava o triângulo. À luz do triângulo, e protegido pela Acácia, José Bonifácio, em 1822, obtinha de Pedro I a aclamação emancipadora: - Independência ou morte."
- Tendo Dario Vellozo "repelido um gesto do diretor da Instrução Pública, que reputara ofensivo à sua dignidade de professor e de homem", foi, três mêses depois, suspenso, a 9 de março de 1909, por três meses e meio, de suas funções na catedra do Ginásio e Escola Normal, por ato do presidente Francisco Xavier da Silva. Dario foi, por isso, alvo da mais viva solidariedade da imprensa ( Diário da Tarde, Estado do Paraná e Progresso ), das Oficinas Maçônicas, da intelectualidade local que ocorreu em visitas ao Retiro Saudoso e da mocidade daquelas Escolas. O Supremo Conselho do Grande Oriente do Brasil também manifestou o seu protesto e solidariedade. Dêsse modo, a punição foi consagradora para Dario. Quando reassumiu a catedra, terminada a punição, o fêz sob ovação dos alunos e, no Salão Nobre da Associação dos Empregados do Comércio, na noite de 25 de junho, realizou-se sessão especial de regozijo e homenagem. "Dario fôra suspenso de suas funções de professor e três mêses permaneceu longe da sala de aula, que emudecera como que solidária com a saudade dos alunos. Chegou, porém, o dia em que terminara o castigo. E o mestre foi recebido, às barbas do diretor pela mocidade em pêso do ginásio, que afogara o estabelecimento em montões de rosas, como para uma grande festa ( ... ) E o velho Mestre chorou... " ( Tasso da Silveira, Dario Vellozo. Perfil espiritual, Rio, 1921 ).

Esta suspensão suscitou polêmica também na imprensa da época, encontramos no jornal "O Commercio", Ano II, nº 89 de 11 de março de 1909, quinta feira, na primeira página: "Suspensão. Conforme as noticias publicadas, o sr. Presidente do Estado suspendeu de suas funcções por trez mezes e meio, o lente de Hystoria do Gymnasio e Escola Normal, sr. Dario Vellozo.
Essa solução do chefe do governo causou surpreza a população coritibana, que, acompanhando o inquerito aberto em consequencia de um incidente pessoal havido entre o referido lente e o director da instrucção publica, estava inteirada do resultado desse inquerito, isto é, que o sr. Dario Vellozo não era passivel de pena por esse desencontro que se dera.
As divergencias que de ha muito existem entre os lentes daquelle nosso primeiro estabelecimento de instrucção e que entretanto, não têm passado do terreno calmo das idéas, originam-se unicamente da intolerancia religiosa. Lentes liberaes e lentes catholicos romanos, cada um em acção decidida, uma divisão de grupo se fez desde muito e só nisso consistiam as desavenças.
A politica ali nunca influiu, nestes ultimos tempos, como cremos não tenha influido neste caso, visto não ser o sr. Dario Vellozo homem politico em acção partidaria.
Por isso mesmo, porque as divergencias são de outra ordem, a entrada de um padre, lente, para a commissão de inquerito, evitava toda a parcialidade que pudesse haver e, segundo nos informam, o parecer que negava ao sr. Dario qualquer culpabilidade, foi acceito unanimemente, o que tambem se deu no seio da congregação.
D'ahi a surpreza toda da applicação de uma pena de que os encarregados de apurar as responsabilidades consideramlivre o lente em julgamento.
Os alumnos do Gymnasio e Escola Normal vão hoje incorporados levar ao sr. Dario Vellozo as suas demonstrações de solidariedade e os protestos contra o acto governamental. Estimado como é o illustrado professor, a sua casa tem estado repleta de amigos e de seus alumnos de diversos collegios."

No dia seguite, o jornal "Diario da Tarde", na página 2, diz: "Dario Vellozo.
Emquanto o orgam official guarda silencio sobre o acto do Presidente do Estado precisamos restabelecer a verdade deturpada pelo Estado do Paraná e pel'O Commercio.
Somos admiradores do talento cathedratico colhido pelo acto de suspensão por tres mezes e meio e consideramos desastrada a administração do Dr. Cerqueira; mas é claro que o sr. Dario Vellozo pisou em terreno falso e incorreu nas penas regulamentares. O facto pertence ao dominio publico e segundo ouvimos de pessoa do Gymnasio, Insuspeita, o sr. Dario, elaborando a sua defesa tornou-se reu-cunfesso.
D'est'arte, era inevitavel uma sentença do dr. Xavier da Silva, nos termos em que foi proferida.
Seria o cumulo do disparate que o Presidente absolvesse o cathedratico que no acto de ser ouvido no processo affirma que realmente desacatou o Director da Instrucção Publica!
Homem de consciencia limpa, o sr. Dario intimamente verá que o dr. Xavier da Silva inspirou-se nos sãos principios de justiça fazendo applicação da pena, cujo grau, entretanto, não podemos apreciar por desconhecermos as circunstancias de que se revistio o acto condemnado.
Em resumo: O cathedratico foi punido devidamente e o sr. dr. Cerqueira terá boa accasião de penitenciar-se dos muitos erros que tem praticado como director: Renuncie este cargo.
Quanto ao Presidente do Estado não será a ultima vez em que se encontra victima da pasquinagem e da má vontade de certos individuos, mas, justamente, porque não se presta a servir a interesses subalternos de . . . quem quer que seja.
Tacito.

Vamos nos abster de comentarios, os fatos falam por si.
Por Decreto de 14 de Abril de 1909, foi nomeado o lente de Latim e Grego do Gymnasio Paranaense, o Padre João Baptista Peters, para reger a cadeira de Historia Universal do mesmo estabelecimento, durante o impedimento do proprietario. ( Relatorio da Secretaria do Interior do Paraná de 31/12/1909 - Editado em 1910 pelo "A Republica", pág. 122. )

Por mais que tenhamos buscado, não conseguimos encontrar nada, publicado pelo Governo Estadual, a respeito da suspensão aplicada ao Prof. Dario Vellozo.

Só que, a Lei nº 930 de 30/03/1910 ( Promulgada pelo Congresso ) Autoriza o Poder Executivo a conceder um anno de licença ao lente do Gymnasio Paranaense e da Escola Normal, Dario Persiano de Castro Vellozo, para tratar de sua saude. ( Relatório da Secretaria do Interior do Estado do Paraná, de 31/12/1910 - Editado em 1911, pág. 24 e 25. )

- "O INP, graças ao magnânimo e afetuoso concurso de distintas pessoas, a quem somos gratos; graças ao fraternal espírito pitagórico e ao devotamento de Aristóteles, inaugurou o Templo das Musas, sede do Instituto, aos 22 dias do mês de setembro de 1918". ( Hôrto de Lísis, p. 257 ) Assim, pois, no dia da Primavera. A continuação do capítulo dá detalhes do fato. O trecho do Retiro Saudoso em que se eleva o Templo das Musas recebeu a denominação de Horto de Lísis. A propósito, e como explicação, Dario Vellozo escreveu: "Foi Lísis o discípulo bem amado do fundador da Escola Pitagórica. Era, em crótona, a alma do Instituto. Resumiu nos Versos Aureos os Princípios do Mestre ( ... ) Nosso Lísis, que se alou aos vinte e um anos às Crótonas do Céu, Quando o INP começava de entrar em sua fase de realização, foi magnífico discípulo do homônimo que tomara para exemplo e Guia ( ... ) Entre outros, influiram êstes motivos para que fôsse dado o nome de Horto de Lísis ao trecho do Retiro Saudoso em que se eleva o Templo das Musas."
O Templo das Musas passou a ser, desde então, centro onde obrigatòriamente iam ter as grandes figuras da inteligência e da espiritualidade humana, que passaram por Curitiba, como Alberto de Oliveira, Hermes Fortes, Margarida Lopes de Almeida, Ângela Vargas, Jinarajadasa, Belém de Sárraga, Vital Brazil, Acácia Brazil, Raul Machado, Ângelo Guido, Arnaldo Estrela, Severino Silva, e outros
Um alto centro de espiritualidade e reuniões memoráveis. As atas das sessões mensais do Instituto constituem, por isso, importante documento da vida cultural do Paraná.
Em 1921, Tasso da Silveira publicou um pequeno livro que é uma das mais excelentes notícias de conjunto sôbre Dario Vellozo, de rigorosa objetividade, com o título: Dario Vellozo. Perfil espiritual. Nesse trabalho, entre o mais, descreve com exatidão perfeita o que foi a presença de Dario na cátedra de História Geral e do Brasil no Ginásio Paranaense e na Escola Normal. Essa página poderia ser colocada em qualquer dos anos desta cronologia, de 1898 a 1932, que é o período de duração da sua regência daquela cátedra. Diz aí, Tasso da Silveira: "Dario é também poeta, mas acima de tudo é um apóstolo, por temperamento e por vontade. Jamais ví mais alta faculdade de fazer proselitismo. Sua ação de presença é dominante. Uma vez presos à magia de sua "saudade da Grécia", à inflexão doce e modulada de sua palavra evocativa, ao império de seu desejo soberano de empolgar os espíritos, dificilmente saberemos manter o dom da análise fria e fugir à sugestão. Há quase um quarto de século que Dario professa História Universal e do Brasil no Ginásio Paranaense e na escola Normal de Curitiba. E é principalmente sobre a alma plástica de seus alunos que mais forte se acentua a pressão de seu estranho modo de ser. A aula de História é forja viva em que retempera corações. Mestre na matéria que ensina, não encontrarás no Brasil muitos competidores que lhe levem vantagem ( ... ) Pela sua voz encantadora as lições tomam aspecto de velhas páginas vindas do fundo dos tempos. Quando preleciona, todo o seu ser concorre para a impressão total que o aluno deve receber. Sae-lhe fluente e límpida a palavra, rica de colorido e de perfume, e, sobretudo, de uma suave música de doçura que ressoa nas almas com a magia da flauta de Ariel. Perde-se-lhe o olhar em um ponto vago do espaço; êle como que contempla, na era longínqua, a cena que descreve. E a iluminar-lhe o rosto, durante tôda a lição, paira-lhe aos lábios indefinível sorriso, que é de estase e de júbilo, pela evocação gloriosa e pelo sonho que transmite. Estatisada no ambiente claro da sala de aula flutua a alma comovida dos jovens, na surpreza do inédito gôzo espiritual, longo e profundo. O Mestre espõe, apenas, os fatos históricos; fá-lo, porém, com tais recursos de expressão, que tudo se transfigura na sua palavra comovente. Os cenários antigos se desenham nítidos. As grandes figuras universais tomam relêvo de estátuas animadas. Se é Jesus que êle evoca, sentimos o mistério
todo da grande vida. Contornamos o lago de Genezareth, enternecemos-nos com os apóstolos. Temos, quase o gesto absurdo de tomar com as mãos a túnica flutuante do Rabbi, para a levarmos aos lábios na maior unção da nossa alma. Raras vêzeso pregador cristão terá conseguido gravar na argila plática das almas o semblante divino de Jesus. E a impressão dominante é sempre a de doçura, de uma doçura infinita iluminando tudo, escorrendo sôbre a vida, como um luar. Sob o império de tal fôrça de prestigio, os estudantes se tornam, em relação a Dario, verdadeiros discúpulos, no sentido filosófico da palavra. Êle é o Mestre querido e evocado a todos os instantes. Ama-nos os jovens com um amor que é antes paixão exclusiva, admiração que não admite restrições, entusiasmo que não quer mais analisar ( ... ) Há, além disso, o pavor do seu julgamento. Cada um trabalha, no mais rude esfôrço íntimo, por se fazer uma personalidade indefectível aos olhos do Mestre. Os pequeninos vícios desconhecidos tomam na consciência de cada um proporções de faltas graves. O mestre vai adivinhar pelos olhos ...
O Mestre, com sua formidável fôrça psíquica, forçosamente conhece êsses defeitos ..."
Em 1932, Dario Vellozo se retira do magistério no Ginásio Paranaense. como paraninfo da turma dos bacharelandos dêsse ano, pronuncia o que êle denominou o seu canto do cisne. A oração principia assim: "Em vosso amor, em amor do Brasil e da Humanidade!" - e qualquer um pode apreender todo o extraordinário que se continha nesse alçar de vôo para a despedida dêsse homem que se educou severamente para a serenidade. Vale a pena deter-se em alguns momentos da alocução:
"Nesse atropêlo que exaure, esgota, neutraliza e mata, os problemas humanos resurgem como expressões de interêsses restritos, sectários, particulares, subalternos ( ... ) "Enquanto os grupos se combatem e aniquilam, no intuito mesquinho de extinguir o contrário, de impor às gentes, como critério geral, um dos critérios grupais, - na insania de acreditar que um dos elementos FUNDAMENTAIS da sociedade possa ser suprimido; a luta de partidos e sistemas prolonga-se devorando os séculos, e o estado social patina em o mesmo círculo vicioso do passado. "Não será demais insistir em que essa é uma das idéias centrais do pensamento de Dario Vellozo, - idéia central em que a sua filosofia da vida, a sua concepção da história, a sua concepção da importância do método, a sua concepção do próprio método, se encontram fundidas, e tudo derivando e ao mesmo tempo convergindo para a idéia pitagórica da Unidade e da Harmonia, essa unidade que êle, - segundo seu entendimento, - sintetizou no símbolo E.A. ( Essência e Atributo ), que êle teria ideado como uma espécie de base da iniciação, base da cultura, do Instituto Neo-Pitagórico.
"Ou a Humanidade passa a outra ordem de idéias, aprende a ver em todos os agrupamentos sociais, não adversários, mas colaboradores da CULTURA ÚNICA, - e assim se corrige dos vícios que a desvairam; ou a instabilidade das levas flutuantes impedirá a ORDEM e o PROGRESSO. ( ... ) Os paliativos são improfícuos. A parte não contém o todo."
"Aos Estados modernos impõe-se mais um poder, a exemplo das organizações sinárquicas dos Rámidas, - rebuscadas, por Saint-Yves d'Alveydre, nas tradições iniciáticas do Egito e do Oriente. É o quarto poder, o poder MENS-MORAL, ou simplesmente ÉTICO ( ... ) Independentes em sua esfera particular de ação, tornam-se interdependentes em sua função genérica. O legislativo elabora; o administrativo executa; o judiciário julga; o Moral orienta. "
"Assim culminará o nível intelectual da Terra das Araucárias, - elo da Pátria, - assim trabalharemos pela Humanidade. Investigai, estudai, decobri, insculpi a PSIQUÊ NACIONAL. O Brasil não pode prosseguir vegetando, cópia, reflexo de outrem."
"Deponho o meu voto supremo em vossas almas límpidas: o meu CANTO DO CISNE ( ... ) Entrai de realizar a missão do Brasil !"
E, dêsse modo, aquela idéia central a que acima nos referimos, funde-se, mais uma vez, com a idéia cívica, - numa constante fácil de seguir através dos anos.
E a idéia cívica que se expressara na conferência do Cube Curitibano, em 1892, e da qual demos notícia no lugar próprio, alcança o seu ponto que poderíamos talvez chamar esférico, de desenvolvimento.
No ano seguinte, 1933, Dario compõe a sua Atlântida, e o canto final, os Ultimos acordes, são uma Ode ao Brasil, dedicada às turmas de 1898 a 1932, - fecho do seu magistério público excepcional, o seu verdadeiro Canto do Cisne. "Brasil Tua psiquê estuda e compreende. ( ... ) Meu País, meu país, - tu levarás à terra/ - Não império do mundo ! - o ouro espiritual ! - / O Sentimento, a Idéia, a PAZ - e não a guerra ! -/ A Sinarquia, o Amor, a Beleza, o Ideal. "
Em 1936, publica Jesus Pitagórico. Trata-se de um diálogo doutrinário. É a última obra escrita por Dario Vellozo. Tanto essa edição, como edição póstuma de 1.941 sairam sem indicação do nome do autor. Êsse mesmo fato ocorreu também com Fogo Sagrado. Esta última trazia, porém, a indicação: Cela de Apolonio. São as únicas que sairam sem indicação de autor.
"Bantante enfermos, escreveo, com as mãos trêmulas, um evangelho: Jesus Pitagórico. Seu último livro." ( Rosala Garzuze, in A Lâmpada, 2ª época, nº 8 e 9, dez. 1937 )
Falece em Curitiba, a 28 de setembro de 1937. "Envolto no hábito de linho dos Pitagóricos", o seu corpo foi sepultado em cova raza, no Cemitério Municipal de Curitiba, junto ao outros pitagóricos.
"A partida de Apolônio deu-se em tarde de 28 de setembro de 1937, às 18 horas, em sua residência, no Retiro Saudoso, ao lado do Templo das Musas, cercado de sua nobre e devotada família, quando os ipês floriram, Apolônio, de Parabraham no seio adormeceiu sorrindo". ( Rosala Garzuze, in A Lâmpada, 2ª época, nº 8 e 9 dez., 1937 ).
"Foi por isso funda a emoção da passagem, ontem, através da capital, do carro de terceira classe, levando num caixão de pinho, amortalhado no linho branco, o homem mais vestido de luz, de Curitiba". ( Um anônimo ).
O govêrno do Estado decretou, pelo fato, luto oficial nas repartições e escolas públicas.
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E quando os ipês florirem, agora, cada ano ...

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No dia 29 de setembro, quarta feira, os jornais estampa na primeira página o acontecimento.
O "Correio do Paraná", Ano V, nº 1.742:
Professor Dario Vellozo.
Morreu como desejará morrer: - com a serenidade dos justos, com a elevação dos fortes.
Eterno enamorado da arte, Dario Vellozo soube ser um paradigma de virtude o devotado e devotado cultor do Bello.
Como pensador preso a dignidade, elevou-se ás mais infinitas e siderais alturas do ideal.
Como poeta foi argonauta do Sonho, peregrino da Chimera, evecador sublime das glorias immorredouras da Hellad sabia e sonhadora.
Como educador conseguiu admiração da juventude que com respeito e carinho abria a intelligencia para ouvir a palavra cheia de encantos do Mestre e do amigo.
Dario Vellozo muito amou o Paraná.
O Paraná muito deve a Dario Vellozo.
E a mocidade de nossa terra, de hontem e de hoje, consagrou a sinceridade da admiração muito accentuada, muito pura, áquelle que em vida pontificou pelo caracter, fulgor de uma intelligencia, luzes de uma cultura disciplinada e orientada e mais ainda pelo exemplo de uma grande vida, passada na dedicação das generosas causas do Bem e da Justiça.

No bucolismo consolador do Retiro Saudoso, a morte na sua inexorabilidade, veio colher das fadigas de sua existencia laboriosa e util, modestamente, recordando as glorias do passado, com a consciencia tranquilla do dever cumprido.
Morreu como desejava morrer: - com a serenidade dos fortes, com a ellevação dos justos.
Dario Vellozo que foi sabio e bom, que foi justo, mereceu em vida o carinho da amizade enthusiasta dos moços e a gratidão da terra que amou e serviu.
Agora, cerrando os olhos, na paz da morte, esquecendo o sofrimento e a agitação da vida, a gloria da prosperidade cobrirá de louros seu nome honrado, lembrando sempre uma existencia idealista e a suas palavras de Mestre descortinando os sendarios luminosos do saber.

O "Diario do Paraná", Ano 39, nº 12.803, diz:
Prof. Dario Vellozo.
Nesta capital em sua residencia do Retiro Saudoso, falleceu hontem, á tarde, o sr. prof. Dario Persiano de Castro Vellozo.
A morte do eminente intelectual representa perda irreparavel para as letras e a sociedade paranaense.
Poeta, escriptor, educador, sociologo, jornalista, orador e professor, o morto, durante algumas decadas soube conservar as insignias de eximio mestre da mocidade, de principe da tribuna e de campeão da liberdade de pensamento.
Nas licções do egregio ensinante da cadeira de Historia da Civilização do Gynasio Paranaense, innumeras gerações conterrraneas beberam luzes de cultura admiravel, vibração civica sem par e orientação ideologica superior.
Com a saude abalada nos ultimos tempos, Dario Vellozo, se devotara ao recolhimento, onde veio colhel-o a morte.
Em nossa terra nenhuma grande cruzada de pensamento e ideal, houve, durante o seu vasto convivio comnosco, que não tivesse a frente a figura varonil e brilhante do morto de hontem.
Predestinado da palavra, com ademanes do altivismo opulento, Dario Vellozo electrizou multidões com seu verbo elegante e quente.
O rol de livros publicados por Dario Vellozo é vasto e de variado genero, avultando sobremodo sua collaboração á imprensa, como fundador de jornaes e revistas, que tão grande papel tiveram no perimetro da intellectualidade paranaense.
Não é possivel abarcar nestas notas em que derramamos nossa emoção pelo infausto acontecimento, os traços da existencia benemerita dese varão ilustre.
O prof. Dario Vellozo, nascido em 26 de novembro de 1869, vindo para o Paraná e fixando-se em Curitiba, em 1886 com 16 annos de idade.
Aqui formou sua mocidade e realizou a sua obra extraordinária de patriota, artista e chefe de familia.
Na Maçonaria, Dario Vellozo attingiu ás que os seus serviços beneficos e seu valor impunham.
Mantinha o preclaro extinto, intercambio cultural com figuras notaveis do paiz e do extrangeiro, enaltecendo o Paraná intellectual.
Dario Vellozo foi um bom e um justo, sobre cuja memoria descerão as bençans da collectividade paranaense, que tanto deve ao fundador do Templo das Musas. scenaculo de arte, belleza e bondade, presidido pela veneranda pessoa do Mestre.
O prof. Dario Persiano de Castro Vellozo era casado com d. Escolástica de Moraes Vellozo, com que houve os seguintes filhos: dr. Cyro Vellozo, medico, falecido; dr. Porthos Vellozo, medico; dr. Alcione Vellozo, medico; dr. Athos Vellozo, advogado e promotor publico na Palmeira; dr. Lysis Vellozo, engenheiro; dr. Ilian Vellozo, advogado e funccionario federal; dr. Valmiki Vellozo, dentista; d. Carmen Vellozo Garzuze, esposa do dr. Rosala Garzuze; professora Violeta Vellozo Costa, casada com o sr. José Costa, e senhorita Zulmira Vellozo.
Os funerais do illustre morto serão realizados hoje ás 14 horas, partindo o coche funebre de sua residencia aita a av. Republica Argentina, no "Retiro Saudoso".

O jornal "Gazeta do Povo", noticiou o seguinte:
Faleceu o professor Dario Vellozo.
O Paraná, ontem á tarde, cobriu-se de luto, com a morte do vulto proeminente e ilustre que era Dario Vellozo, o mestre das gerações ginasiais, o doutrinador do Retiro Saudoso, o evocador inigualavel e apaixonado da serena beleza da Arte e da sabedoria dos helenos, o incansavel e talvez o ultimo dos Pitagoricos.
Ainda ha dois dias, aluizio França assim justificava, perante os seus pares da Câmara Municipal da cidade, a homenagem ao preclaro patrício paranaense de corpo e alma:
"Faz anos, 68 anos, a 26 de novembro, agora, Dario Vellozo, Dario Persiano de Castro Velozo, um nome e uma gloria!
Eu não sei bem por onde deva começar a descrever-lhe os meritos. Ha uns que é preciso inventar valores e andar agarrando-os para fazer fé de oficio fiticia, e são os que pululam.Ha outros que a avalanche dos merecimentos e filão de ouro farto. Aqui está Dario Vellozo.
Nasceu no Rio de Janeiro, em 26 de novembro de 1869.
Em 1885 veio para Curitiba.
Era um nenino de 16 anos.
Aqui cresceu comnosco, aqui estudou comnosco, aqui sofreu os maiores embates mentais que sofremos, aqui foi pregoeiro e paladino, durante meio seculo, de todas as ideias humanas e nobres que se agitaram no mundo.
Meio seculo de denodo mental contra todas as tiranias e contra todas as injustiças, onde quer que se perpetrassem.
Clarim sempre alerta para madrugar na alma dos moços o sentimento da beleza, para despertar e incutir o sentido da solidariedade humana e para desencadear o Homem-Prometeu de todas as servidões e fanatismos!
Em 1898 - 28 de fevereiro - entrou para o professorado: professor do Ginasio e da Escola Normal. Professor de Historia Universal. Sociologia e Moral, Economia Politica e Direito Patrio. O que foi nessa catedra, não preciso relembrar para nenhum Paranaense de mais de 20 anos.
Digo apenas que foi o mais querido dos Mestres e o mais apto semeador de idealismo que já pregou entre nós, para moços de todas as idades!
Orador veementissimo. Poeta, Escritor e polemista. Critico.
Fundou varias revistas esotericas e teosoficas, e publicou mais de 50 volumes de prosa e verso. E desde 1918 mantem o Instituto Neo-Pitagorico, prestigioso centro de cultura e de educação. Mas talvez para Curitiba, um dos maiores feitos desse Mestre eminentissimo tenha sido a fundação do primeiro nucleo literario com a publicação do "Cenaculo", em abril de 1895, revista que, no seu tempo, foi a primeira no Brasil e teve rumores,atuação nos centros cultos do Pais. Intelectualmente foi "O Cenaculo", que nos mostrou ao Brasil, que vive e que sonha, que tem emoção e que realiza, que constroe e que trabalha no ideal, que é a realidade de todos os pensadores."

xxx

Dario Vellozo terminou a sua atividade mental. Recolheu-se. Deu-se por satisfeito, consigo mesmo, porque ate o fim não lhe faltou estima e a admiração de seus discipulos. Cumpriu o dever. Aquietou-se no seu lar, na serenidade de sua biblioteca, no recolhimento de seu eu. Inclito Mestre.
Agora, cumpre-nos reconhecer. Esta Assembleia é a expressão de todas as vontades e aspirações curitibanas, porque é a nossa Assembleia politica: a que ha de refletir vontades, acitar ideais, proclamar meritos, fazer justiça e, sobretudo, cultuar os nossos grandes espiritos.
Em Dario Vellozo tudo se pode discutir, porque ele foi um idealista e um batalhador intemerato, menos que ele não é um grande homem e um exemplo! E é este homem e este exemplo, que é preciso colocar em praça publica."
A "Galeria Paranaense", de Sebastião Paraná, assim biografa o grande morto:
Nasceu na cidade do Rio de Janeiro, a 26 de novembro de 1869.
Filho legitimo do venerando e imaculado cidadão João Ciro Persiano de Almeida Vellozo, falecido em Curitiba a 10 de março de 1908, e de sua primeira consorte d. Zulmira Mariana de Castro Vellozo, falecida no Rio de Janeiro a 17 de setembro de 1879.
Aos 10 anos de idade passou pela suprema dor de ficar orfão de mãe. Dai em diante tristissima lhe seria a existencia se não fosse o carinho santo e consolodar que recebia de seu bondoso genitor.
Encetou o curso de humanidade no Liceu de S. Cristovão, nos de 1880-83. Prestou exame de Portugues no colegio Pedro II, sendo merecidamente aprovado.
Descrescendo os pareceres paternos, iniciou seu trabalho material em 1884, como aprendiz de encanador; em 1885 como compositor tipografico, até vir para Curitiba, onde chegou a 4 de agosto de 1885, indo trabalhar como tipografo, nas oficinas do orgão politico "Dezenove de Dezembro", até o fim daquele ano.
Dedicado sempre aos estudos, frequentou de 1886-89, o Partenon Paranaense e o Instituto Paranaense, onde estudou as disciplinas no vestibulo dos cursos superiores.
Apos a proclamação da Republica foi amanuense da Repartição de Policia, de 1889 a 1890, deixando este cargo para exercer o de praticante da Tesouraria da Fazenda do Paraná, até 1893, época em que contraiu matrimonio, a 21 de Outubro , com d. Escolastica Marais Vellozo, adorada filha unica do inteligente comerciante de Morretes, sr. Americo Morais falecido em 1883, em consequencia de variola adquirida no Rio de Janeiro em Novembro daquele ano.
Desse matrimonio tem os seguintes filhos: Porthos, professor, normalista, engenheiro agronomo, quartanista de medicina e lente substituto da cadeira de Fisica e Quimica do ginasio Paranaense e da Escola Normal; Ciro, professor normalista, bacharel em ciencia e letras e quintanista de medicina; senhorita Zulmira, Carmen e Violeta, esta quartanista da Escola Normal; Walmiki, academico de agronomia: Ilian, quartanista do ginasio Paranaense; Athos, Alcione e Lysis, tendo faleciso Isis em 4 de dezembro de 1909 com 2 anos incompletos; e Alyr, a 11 de setembro de 1920, com 5 anos. De setembro de 1893 a abril de 1894 serviu em defesa sa autoridade legalmente constituida, como tenente do 6º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional.
De 1894 a 1898 desempenhou com inteligencia e solicitude o Congresso Legislativo do Estado do Paraná.
Por ato de 28 de fevereiro de 1898 foi nomeado para reger interinamente a cadeira de Historia Universal, Sociologia, Moral, Noções de Economia Politica e Direito Patrio do Ginasio Paranaense e da Escola Normal, assumindo o exercicio a 2 de março do referido ano.
Posta em concurso a cadeira de Historia Universal e do Brasil dos aludidos estabelecimentos de ensino secundario, submeteu-se as provas fortes desse ato, revelando profunda idoneidade nessa disciplina e as excelsas qualidades de seu entendimento.
Vitorioso nesse concurso, foi por ato de 19 de abril de 1899, nomeado para reger efectivamente a cadeira supra referida, em cujo exercicio permanece até hoje.
Sua vida maçonica é proficua e triunfal. Iniciado em 1898 na Loja Perseverança, conservando-se até agora em atividade, tendo ocupado os altos cargos de orador das Lojas Fraternidade Paranaense e Luz Invisivel, veneravel da Loja Unione e Fratellanza e da Luz Invisivel, Secretario do Delegado do Grão Mestre da Ordem, no Paraná e Delegado.
Possue o grau 33.'., membro Honorario da Assembleia Geral do Grande Oriente de São Paulo, e honorario de benemerito de diversas Lojas, representante do Paraná, em Congressos maçonicos do Rio, em 1904 e 1906.
Representante do Paraná no 6º Congresso Brasileiro de Geografia, em Belo Horizonte em 1919.
Iniciador e fundador do "Instituto Néo-Pitagorico", em 26 de novembro de 1909, e que atualmente funciona no Retiro Saudoso, no Templo das Musas, inaugurado a 22 de setembro de 1918.
Esta associação prossegue em seu desempenho de cultivar a ciencia, as letras e as belas artes e render culto ao merito, em surtos de paz e harmonia.
Em suas reuniões não se notam gestos agressivos contra idéias ou sêres, não se extremam preferencias por determinadas manifestação de espirito sectario.
Amigos da harmonia, adeptos da unidade, rebuscam os pitagoricos a verdade, sermos acolhidos com respeito as expressões sinceras do parlamento, investigando, estudando inquerindo, sem atritos, reunidos no culto a amizade - mais fortes que as paixões, que a duvida, que a morte, - a caminho dos ideais da perfeição moral.
O Templo das Musas, com suas colunas doricas, em a campina primitiva e calma, dá as reuniões evocativos cunho de convidativa beleza.
Contribue o Instituto Néo-Pitagorico para os creditos de cultura do Paraná.
É instituição unica no genero, não só na América e no Ocidente como talvez no orbe.
Seus associados realizam um nobre gesto perpetuando-o e prestigiando-o; e o Paraná deve enaltecer-se com a pleaiade de estudiosos que se reune e trabalha no Templo das Musas.
Suas publicações vão alem das fronteiras do Brasil! Ainda ultimamente apareceu o primeiro da "Luz de Krotona"orgão do "Instituto", e foi distribuido o volume das Conferencias realizadas em 1920.
As sessões do Instituto Néo-Pitagorico são mensais e encantadoras, e efetuadas em tarde de domingo, das 15 as 17 horas.
Fundou, em 1900 o Centro Esoterico "Luz Invisível".
Foi também o fundador da Loja Teosófica Nova Krotona, em outubro de 1919.
Publicou numerosas produções cientificas e literarias, dentre as quais sobressaem as seguintes: Primeiros ensais (contos), ( polemica e critica ). Moral dos Jesuitas; Sollo do Amanhan ( romance ); da Tribuna e da Imprensa; Pelo Aborigene, em colaboração com Julio Parnetta; Pour L'Humanité; Lições de Historia; Compendio de Pedagogia; Templo Maçonico; Alma Penitente, ( poema ); Rudel ( poema ); Do Retiro Saudoso; O Habito e a Integridade Nacional ( Tese do 6º Congresso de Geografia em Belo Horizonte; Livro de Alyr; etc. , etc.
Jornais e revistas que tem fundado: Revista Azul; Cenaculo ( com Silveira Netto, Julio Pernetta e Antonio Braga ); Esfinge; Ramo de Acacia; Mirto e Acacia; Pitagoras ( revista de estudos teosoficos ); Brasil civico; Patria e Lar; Luz de Krotona; etc.
Foi brilhante colaborador das revistas; Clube Curitibano; A Escola ( orgão do Gremio dos Professores );Jerusalem e outras.
Soube ser sociologo e tambem dedicado artista. Leia-se "Rudel", poema em que seus versos teve percusões de cristal, sonoridades de campanhas celestiais.

Dario Vellozo é uma das figuras mais destacadas da sociedade paranaense. Rarissimos o egualam na oratoria, sendo mesmo um dos maiores oradores do Brasil.
Sua voz, formosa e inflamada, de tribuno ardoroso e patriota, esteve sempre ao lado da democracia e contra a escusavagem, sendo, no Paraná, um dos que abriram brecha nos alicerces desta instituição execranda.
Insigne mestre da palavra falada tem, portanto, a seu favor o prestigio soberano da eloquencia. Seu verbo constitue um ariete, uma clava possante ao serviço das idéas liberais, da moral e da justiça.
Solicitado, a convite insistentes e constantes tem feito magnificas conferencias nas principais cidades paranaenses: Curitiba, Ponta Grossa, Paranaguá, Antonina, Lapa, Rio Negro, e outra localidades do Estado.
O "Dia do Encarcerado".
Devido a nobre iniciativa de Dario Vellozo e, sob os seus auspícios, passou a ser comemorado em nossa Penitenciária, a partir de 1930, o "Dia do Encarcerado", a 24 de abril de cada ano.
Nesse dia o soturno aspecto da prisão se modifica com a festiva celebração. A clemencia do governo tambem se faz sentir nesse dia, em atos de indultos e comutações de penas impostas aos condenados.
Dario Vellozo durante varios anos seguidos, não só nessa oportunidade, como em outras visitas á Penitenciaria, levava aos sentenciados o balsamo consolador de sua palavra, sempre benefica, falando-lhes do sentimento.
Só a doença pertinaz, ultimamente, o afastou dessa missão a que sua expontanea bondade se ofereceu nos ultimos anos de sua util existencia.


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Os funerais do colendo morto serão realizados hoje as 14 horas, devendo o coche funebre partir de sua residencia, sita a av. Republica Argentina, no "Retiro Saudoso", como era geralmente conhecida a sua moradia.

SIMPLES E GRANDE NA SUA ULTIMA VIAGEM.

Satisfendo um desejo sempre manifestado pelo grande Prof. Dario Vellozo, a familia do ilustre morto mandou construir um caixão rustico, forrado e coberto de morim branco, sem alças, enfim, o mais simples possível, sem aparato.
O fundador do Instituto Néo-Pitagorico foi grande na sua simplicidade.
O caixão supra será transportado em carro de 3ª classe e o corpo do grande educador brasileiro estará envolto em uma tunica branca. Pureza de carater!

A Federação Espírita do Paraná, presta sua homenagem.
No "Diario do Paraná", Ano 89 nº 12.828 de 28 de outubro, quinta feira, traz:

A MEMORIA DO PROF. DARIO VELLOZO.

A Federação Espírita do Paraná, em sua sede à rua Saldanha Marinho, nº 610, com início às 21 horas realizará hoje, 28 de outibro, em homenagem á memoria do brilhante e saudoso mestre, da mocidade contemporanea, uma sessão litero-musical, com o seguinte programa:
Palestra sobre a individualidade de Dario Vellozo, pelo eminente tribuno dr. Francisco de Azevedo Macedo.
Numeros de musica a cargo da senhorita Eunice Lopes, violinista diplomada pelo Instituto de Musica Prof. Ludwig Seyer, acompanhada ao piano pelo maestro sr. Bento Mussurunga, effectuando-se o seguinte programa:
1) Serenata de Schubert.
2) Cysne - Saint-Seans.

NO GYMNASIO PARANAENSE.

O Gymnasio Paranaense, em homenagem à memoria do inolvedável professor Dario Vellozo realizará a 29 do corrente, ás 20 horas uma sessão magna para a qual nos distinguiu com convite o sr. Professor Francisco Villanova, director daquelle estabelecimento se ensino secundario.

Ver mais A.R.