Autoridades na Maçonaria Brasileira.
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HUGO GUTIERREZ SIMAS.

Foi o 1º Grão Mestre da Grande Loja do Paraná, de 25/01/1941 a provavelmente, Julho/Agosto de 1941.

     
O Dezembargador Hugo Guitierrez Simas nasceu a 23 de outubro de 1883, em Paranaguá - PR.
Era filho do farmacêutico Fernando Simas e de Dona Helena Guitierrez Simas.
Fêz curso primário em Paranaguá, e humanidades e o superior no então Distrito Federal (Rio de Janeiro). Diplomou-se em farmácia e mais tarde, em Direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro.
Durante cinco anos trabalhou ao lado do progenitor, quando resolveu estudar Direito. Foi escriturário da Estrada de Ferro Central do Brasil, preparador de historia natural no Internato do Colégio Pedro II; Promotor Publico de Antonina, Palmeira e Rio Negro; lente de português e pedagogia da Escola Normal e de lógica, história da literatura, filosofia e história natural do Ginásio Paranaense, ambas casas educacionais de Curitiba; deputado ao Congresso Legislativo do Estado.
No ano de 1921 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde permaneceu alguns anos, exercendo o cargo de consultor jurídico do Lloyd Brasileiro ao mesmo tempo em que exercia a advogacia.
De regresso ao Paraná prelecionou direito constitucional, enciclopédia jurídica, direito internacional e direito comercial na Universidade do Paraná.
Orador de palavra fácil, fluente.
Austero e de caráter firme era, entretanto, amável para com todos. Perfeito cavalheiro, cujo coração bonissimo o fazia abrir a carteira para auxiliar aquêles que dêle se aproximavam, pedindo auxilio.
Jornalista vibrante, redigiu o "Diario da Tarde" e o "Comércio do Paraná".
Professor severo, porém justo. Suas aulas atraiam os alunos ávidos das excelentes explicações. Lembram-nos de que passamos um período de tristeza e saudade pelo seu afastamento das aulas da "Escola Normal".
Qual não foi, porém, a nossa alegria ao sabermos do seu retôrno à cátedra que tanto dignificava. Recebêmo-lo com flôres. O Dr. Hugo mal pôde pronunciar-se sôbre tão comovente quão significativa, justa e merecida homenagem, prestada por seus discípulos.
Escreveu: "O romance de amor e poesia do Poeta" (Gonzaga e Marília); "O direito marítimo"; "Agricultura na escola primária", etc.
Pertenceu ao centro de Letras do Paraná e à Academia Paranaense de Letras.
Faleceu no Rio de Janeiro, a 27 de outubro de 1941, onde fôra em busca de melhora para a sua saúde.
Exercia, na ocasião, alto cargo de desembargador de seu Estado.
( Transcrito de "Alma das Ruas", de Maria Nicolas edição 1969 Volume 1 )

Abandonou o ministério publico, por ter sido nomeado para reger interinamente a cadeira de português da Escola Normal, por decreto de 10 de Maio de 1912. A 20 de maio de 1913 foi-lhe concedida a permuta das cadeiras de português e pedagogia. A 3 de Junho de 1914 foi nomeado para substituir interinamente o lente de História Natural, Dr. Reinaldo Machado, durante o tempo em que esteve tomando parte nos trabalhos do Congresso Legislativo do Estado. A 29 de fevereiro de 1916 foi nomeado para exercer o cargo de lente da cadeira de logica, historia da literatura e historia da philosophia do Gymnasio Paranaense. Em 2 de abril de 1921 deixou definitivamente de fazer parte do corpo docente do Gymnasio Paranaense, por ter sido, em 1919, convidado no Rio de Janeiro, pelo Diretor do Loyd Brasileiro, Dr. Alves Farias, para exercer o cargo de seu secretario particular.
Falecendo o consultor juridico da Diretoria do LLoyd, foi incluido no quadro do contencioso da referida companhia, cargo que deixou expontaneamente para exercer a advocacia.

Quando inaugurado o seu retrato, no 30º aniversário de fundação da Grande Loja do Paraná, após descerrado o retrato por seu descendente Dr. Fernando Simas, foi dada a palavra ao Prof. e nosso Ir. Dario Nogueira dos Santos para discorrer sobre tão solene ato.
DESEMBARGADOR HUGO GUTIERREZ SIMAS - De saudosa memória, é o vulto memorável e eminente, cuja fotografia aqui ficará para nossa admiração respeitosa e estimulo edificante de supernidade.
Manifestou em sua vida uma personalidade admirável de advogado culto, juiz íntegro, jurisconsulto afamado, escritor escorreito de estilo original, sociólogo evoluído, político arguto, maçon por tradição, filho de maçon e nosso nosso primeiro Grão Mestre da M. R. Grande Loja do Paraná.
Nosso querido respeitável irmão e amigo, nasceu em Paranaguá, há 87 anos passados, em 23 de outubro de 1883, filho dileto de Da. Helena Gutierrez Simas e do ilustre farmacêutico Fernando M. Simas.
Herdou de seu pai inteligência, energia, iniciativa e vôos condoreiros de grande idealista.
Fernando M. Simas, maçon da Loja Perseverança de Paranaguá, a mais antiga do estado, da qual tenho a honra de ser como o seu fundador Dr. Alexandre Bousquet, seu venerável perpétuo, desde que reergui suas colunas em 1930.
Loja onde conto com fundadores meus ancestrais e com meu pai que foi seu orador por alguns anos, merece para mim um carinho todo especial.
Fernando M. Simas, republicano histórico, diretor e fundador do "Livre Paraná" em 7 de julho de 1883; Eco republicano ratoriado pelos maçons da Perseverança; foi um baluarte destemido e vanguardeiro dos supernos ideais da humanidade.
Seu ilustre filho completou o curso primário em Paranguá, às margens de Taguaré, hoje Itiberê, seguindo para o Rio, terminou humanidades no Colégio D. Pedro II que cursou durante um lustro.
Aos vinte e dois anos recebeu seu primeiro diploma de profissão liberal da Academia de Medicina do Rio de Janeiro, tornando-se farmacêutico, com seu pai, talvez com intensão de ajudá-lo na farmácia, visando estabilidade econômica; mas exerceu tal profissão apenas por cinco anos, ao fazer concurso e ser nomeado escriturário da Central do Brasil.
Continuando seu estudos, bacharelou-se pela faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro.
Voltou ao Paraná e aqui desposou a jovem Branca, hoje Da. Branca Gutierrez Simas que graças ao bom Deus ainda vive, e honrosamente prestamos à sua pessoa, nossa viva admiração e respeito.
Desse feliz enlace sobrevieram duas filhas infelizmente falecidas.
Muito moço ainda ingressou na Magistratura tendo sido promotr público de Antonina, Palmas e Rio Negro.
Em 1921, aos vinte e nove anos trocou a Magistratura pelo Magistério Secundário, passando a lecionar Português e Pedagogia na Escola Normal, ocasião em que tive a honra e prazer de ter sido seu aluno, e admirar devidamente sua marcante personalidade.
Portanto, neste momento, sinto-me vaidoso de poder dizer de meu mestre, meu irmão e meu amigo, como tenho dito de Dario Vellozo, também meu mestre nessa ocasião.
O convívio de nosso homenageado com seu colega Dario, bastou para que o Prof. Hugo ingressasse no I.N.P. e na Loja Maçonica Luz Invisível do Rito Francês do Azul, para onde também fui levado em 1925 pelo nosso guia comum, Dario Vellozo, fundador daquela oficina.
Em 20 de maio de 1914, início da guerra européia, é recepcionado o marechal Dr. Lauro Sodré, no Paraná, onde veio presidir o 2º Congresso Maçônico aqui realizado na Loja Perseverança de Paranaguá e nessa oportunidade o ilustre Senador, Grão Mestre da Maçonaria Brasileira, aodesembarcar na plataforma de Curitiba foi saudado pelo Irmão Oscar Martins Gomes em nome da mocidade acadêmica, sendo muito aplaudido. Em vista à nossa Universidade é saudado pelo 2º anista de direito Oscar Borges em nome da mocidade Acadêmica e pelo Dr. Hugo Simas em nome da Congregação da Faculdade, quando brilhou e comoveu a todos, face a tão significativo improviso.
No transcorrer do mencionado e brilhante Congresso personalidades empolgantes da época, em plenário cheios de luz e sabedoria, manifestaram idéias supernas, pelas figuras de Dario Vellozo, Lauro Sodré, Niepce da Silva, João Muricy, Costa Faria, Francisco Accioly da Costa, Petit Carneiro, Emiliano Pernetta, Gonçalves Lobo, Líbero Badaró, Hildebrando de Arujo, Comendador Antonio de Barros, Hugo Simas, Oscar Martins gomes, Salustio Lamenha Lins, Thiago Azevedo, João Coelho Moreira, Octacílio Camará, Trajano Reis, Lamenha Lins, Benjamin Ins, Carlos Cavalcanti, Affonso Camargo, Marins Camargo, Claudino dos Santos e tantos outros que ficaria longo enumerar.
No Transcorre do brilhante Congresso, nosso irmão Hugo Simas, representando a Loja Luz Invisível, fez parte da Comissão de Pareceres sobre as teses litúrgicas, onde apresentou sua própria tese e indicações das mais brilhantes e de maior alcance maçonico; apenas registrarei curtas indicações para não sair das normas de um breve discurso, mas, para citar palavras de nosso próprio homenageado e não só apenas as que tenha pronunciado.
Primeira Indicação: - Atendendo a que a missão do novo continente no Orbe é uma missão elevadíssima de paz e concórdia, fatores indispensáveis ao progresso da família humana; Atendendo o ideal maçônico pela liberdade, igualdade e fraternidade; Considerando que o maçon é formado pela concentração de todas as conciências livres e de tendências elevadas, não pode ele, tolerar atritos que violam a paz interna, que perturbam a tranquilidade do lar; o 2º congresso Maçonico aplaude sem restrições a intervenção do A. B. C. na contentsa méxico-americana, fazendo votos para que a ação mediadora ponha termo ao conflito armado, honrando assim a civilização deste século.
Acresce que se deve abolir por completo o assassinato legal, seja em tempo de guerra ou de paz, não sendo lícito o direito de matar os vencidos, quaisquer que forem as circunstâncias e exigências da luta Terceira Indicação: - Este Congresso julga oportuna e necessária a colabortação da mulher no trabalho maçonico, pela igualdade de direitos que a moderna orientação social aconselha e defende.
Na qualidade de valoroso jornalista que era, nosso homenageado tornou-se redator do "Diário da Tarde" e "Comércio do Paraná". Passou merecidamente a fazer parte do "Centro de Letras" e da "Academia de Letras do Paraná".
Em 1916 lecionou também, lógica, história da literatura e filosofia do Ginásio Paranaense. Foi também eleito deputado ao Congresso Legislativo do Estado.
Sua atividade literária foi intensa e sua bibliografia tornou-se volumosa. - Lançou "Na festa de Cloris" em 1913 (sob o nome simbólico, Menesarco de Samos, do I.N.P.). "Nunciação de obra nova" em 1915. O crime do Hotel Biéla" em 1919. "Tribunais Marítimos Administrativos" em 1931. "Seguro Marítimo" em 1930. "Apelação Cível nº 2869" em 1931. "Compêndio de Direito Marítimo Brasileiro" em 1938. "Código Brasileiro do ar" em 1939. "Direito Aéreo" em 1939. "Paranaguá e a Republica" em 1940. "Conferências" em colaboração de 1940. "Romance de Amor do Poeta Gonzaga" em 1941. "Rios nesointernacional" em 1944. "Comando da Caxias, na Guerra do Paraguay" em 1951. A proposito do "Código aéreo" e do "Direito Marítimo", o então Ministro Francisco Campos, também grande jurisconsulto, dirigiu significativos encomios ao eminente conterrâneo.
Foi evidentemente um jurisconsulto pioneiro em obras de direito por novos campos de atividade e ação. Passou a ser Catedrático de Direito Internacional e Enciclopédia Jurídica do Direito Internacional e Comercial de nossa Faculdade de Direito. Em 1921 voltou para o Rio e nessa oportunidade foi consultor jurídico do Loyd Brasileiro. Quando deixou esse cargo retornou a advogar, mas logo voltou a Magistratura e chegando ao fim da carreira, aposentou-se como Desembargador de nossa alta Côrte Jurídica. Na sua grande atividade alternada entre a advocacia e a magistratura, honrou ambas, tanto a magestade da toga como a dignidade da advocacia. Dotado de formação profissional de Juiz, magistrado, professor, nunca quebrou princípios fundamentais, mantendo-se com caráter impoluto e dignificante. Deu brilho à sua obra literária, como estilista original, foi mágico da palavra fácil e sugestva, sempre rico de conhecimento como mestre, donatário do ensino médio e superior.
Deixou sentenças brilhantes como juiz, 18 voumes de obras magníficas como literato e jurista vida exemplar na sociedade, verdeiro filósofo em suas vestes talares e mestre eficiente e querido. Conquistou pois os mais elevados títulos em sua atividade polimórfa, superando a norma da vida, harmonizando um cérebro fecundo com um coração cheio de aféto. Quando ainda nosso mestre, por injunções políticas solicitou demissão do cargo, nessa ocasião prestamos-lhes ostensiva homenagem de apreço e um grande movimento de simpatia acercou-se do mestre, dando lugar à sua breve reintegração no cargo. Nessa oportunidade saudaram o mestre Oscar Martins Gomes pelo Ginásio e Meneláu Torres pela Escola Normal.
Embora houvesse vivido apenas 58 anos, tendo falecido no Rio em 27 de outubro de 1941, foi um grande conquistador de amizades, verdadeiro pitagórico e maçon, plenamente justificada aqui ficará neste recinto de irmãos, a sua fotografia, para nossa perene admiração, respeito e veneração.
A cidade de Curitiba prestou homenagem póstuma a seu destacado municipe, perpetuando seu nome numa das ruas da cidade sorriso.
A mocidade paranaense honrou seu mestre querido, fundando em sua homeagem, no dia 11 de agosto de 1932, o "Centro Acadêmico Hugo Simas" que recebeu sede própria do governo Moysés Lupion.
Hugo Simas, de signo de libra, correspondeu perfeitamente a 70% do mesmo.
De estatura pouco acima da mediana, apresentava beleza e persuasão, de natureza amorosa e emoções elevadas, clemente e de ideais supernos, intuitivo, afável, inteligente, cortez, cerviçal, eloquente e poético, amante da ciência e de temperamento ardente e independente Hoje é data aniversária desta Ordem Maçônica, aqui estamos sobretudo convocados pela saudade que devota-mos ao nosso primeiro Grão Mestre do Paraná, para prestação de contas creditadas há tantos anos em nossos corações, para render sacratissima homenagem a este vulto insigne, sacerdote do Templo de Salomão, que aqui ficará emoldurado, atestando serviços prestados, princípios reaizados e Landmarks reverenciados nesta M. R. Grande Loja do Paraná, legitimamente constituída a 25 de janeiro de 1941, pelas Lojas Simbólicas, Justas, Perfeitas e Regulares: - Emancipação nº 1, Regeneração nº 2 e Libertação nº 3.
É soberanda e independente nossa Ordem, com sempre o foi o seu primeiro Grão Mestre, muito bem seguido por passos firmes de Cícero Marques, nosso atual detentor do malhete luminoso que do Oriente como Amon Rah, irradia seus raios fulgurantes para iluminar nossas almas e suavisar nossos corações.
E, assim meus caros irmãos, membros da família do hmenageado, convidados aqui presentes, a nossa Ordem vem de longe mas, não vem cançada, pois, cada vez se renovando e não deixando esquecer nossos baluartes, personalidade fidedignas, como Hugo Simas, e, sua ausência inexorável, jamais apagará de nós a impressão altisonante de seus feitos, as cistoles e distoles de seu grande coração dedicado à humanidade, a evocação de seu convívio amigo e fraternal, e registrará através da eternidade, um verdadeiro oráculo de suas virtudes.
Honremos sempre sua venerável personalidade e meretíssimo e venerabilíssimo Mestre.

Ver mais A.R.
Transcrito de: “A Maçonaria no Paraná” – Vol. 7 de 7, página 174 a 180– Registro de Direitos Autorais nº 240.200.